Em A Sociedade contra o Estado (1974), o filósofo e etnólogo Pierre Clastres lançou as bases para uma nova antropologia política: “Os povos sem escrita não são menos adultos que as sociedades letradas. Sua história é tão profunda quanto a nossa e, a não ser por racismo, não há por que julgá-los incapazes de refletir sobre a sua própria experiência e de dar a seus problemas as soluções apropriadas. É exatamente por isso que não nos poderíamos contentar em enunciar que nas sociedades onde não se observa a relação de comando-obediência (isto é, nas sociedades sem poder político), a vida do grupo como projeto coletivo se mantém através do controle social imediato, imediatamente qualificado de apolítico. O que precisamente se entende por isso? Qual é o referente político que permite, por oposição, falar de apolítico?” (Adaptado de CLASTRES, P. A Sociedade contra o Estado: pesquisas de antropologia política. Rio de Janeiro: F. Alves, 1978, p. 16). Com base no trecho, é correto afirmar que a antropologia política defendida por Pierre Clastres:
- A propõe analisar as sociedades ditas arcaicas com base na filosofia política euro-americana, considerando o poder político em termos de coerção e subordinação;
- B reafirma a ideia de que a evolução das sociedades deve ser medida pela presença ou ausência do Estado, entendido como modalidade político-administrativa de terras e gentes;
- C classifica as sociedades ditas primitivas como sem Estado, sem escrita, sem história e sem economia, nas quais o controle é exercido de modo apolítico;
- D pensa os fundamentos do poder e suas transformações nas sociedades indígenas propondo a retirada da noção ocidental do político do centro da análise;
- E alarga a noção de política e mostra que o poder coercitivo e as relações de força são universais e imanentes a todas as sociedades.