Resumo de Educação Artística - Surrealismo

O Surrealismo foi um movimento artístico e literário que integrou as vanguardas europeias do início do século XX. As vanguardas surgiram em Paris, na França, em reação ao Racionalismo e ao Realismo. O objetivo era deixar a arte mais conotativa, ou seja, liberada para diversas interpretações.

Dessa maneira, o Surrealismo se inspirou em outros movimentos artísticos, como o Cubismo, o Futurismo e o Dadaísmo. Contudo, não se limitou apenas às artes plásticas, mas influenciou outros seguimentos, como a escultura, a literatura, o teatro e o cinema.

Origem do Surrealismo

O Surrealismo surgiu nas duas primeiras décadas do século XX, momento em que os estudos psicanalíticos de Sigmund Freud (livre associação e análise dos sonhos) e as incertezas políticas favoreceram o aparecimento de uma nova arte, que criticasse a cultura europeia e a frágil condição humana diante de um mundo cada vez mais complexo.

Nessa época, a população enfrentava o que foi denominado como “anos loucos”, fase em que uma série de mudanças estavam acontecendo devido a Revolução Industrial e a Primeira Guerra Mundial. Isso porque a sociedade ainda estava se acostumando com os processos de industrialização, descobertas científicas, progressos culturais, etc.

Com isso, as contradições abriram espaço para o desenvolvimento de movimentos artísticos voltados para uma nova interpretação e expressão da realidade. Assim, surgiram as “vanguardas europeias”.

Características

As características do Surrealismo assemelhavam-se bastante as do Dadaísmo, na qual o artista deixava-se levar pelo impulso, retratando tudo o que lhe vinha à mente, sem se preocupar com a lógica. Portanto, sonhos, fantasias e loucuras formavam a base do movimento surrealista.

No contexto das artes visuais, o Surrealismo dividiu-se em vários seguimentos. Em um deles, adaptou as técnicas de escrita automática dos surrealistas, ou seja, sem a consciência do que estavam escrevendo, já que a ideia era liberar a mente do controle consciente e produzir um fluxo de ideias do subconsciente.

Olhando por outra perspectiva, o movimento baseou-se em reconstruções elaboradas e minuciosas de um mundo imaginário, onde os objetos eram colocados sem qualquer coincidência.

Artistas surrealistas

No Surrealismo, os artistas deixavam o mundo real para penetrarem no mundo imaginário, pois para o movimento, a emoção mais profunda do ser tem a possibilidade de se expressar com a aproximação do fantástico.

No estado automático proposto pelo Surrealismo, a mente não exercia controle sobre nenhuma forma de expressão. Dessa forma, os artistas surrealistas tentavam esculpir por meio de figuras simbólicas ou formas abstratas as imagens da realidade mais profunda do ser humano: o subconsciente.

Eles exploravam o imaginário dos sonhos como um atributo inquietante e bizarro da vida diária. Como parte do processo artístico, chegavam a pedir que pessoas comuns descrevessem suas experiências oníricas como uma forma de reunirem arquivos para suas produções.

Salvador Dalí

Um dos artistas mais conceituados do Surrealismo, Salvador Dali teve as suas pinturas influenciadas pelo Cubismo de Gris e pela pintura metafísica de Giorgio De Chirico. O artista propôs uma nova característica para o Surrealismo com o seu método de atividade paranoica.

O pintor aderiu ao movimento, junto com seu amigo Luis Buñuel, um cineasta. Em 1924, ele foi expulso da Academia de Artes em que estudava (San Fernando) e começou a se interessar pela psicanálise de Freud, que teve grande importância em suas obras.

Dessa forma, Dalí se interessou por condições mentais anormais e, em particular, por alucinações. As suas imagens eram tão estranhas que pareciam fotografias em cores. Até o dia da sua morte, o artista se dedicou às pinturas e à construção do seu museu, mas também desenvolveu esculturas e desenhos de móveis e joias.

As obras de destaque são:

  • Autorretrato com L’Humanité, 1923;
  • A persistência da memória, 1931;
  • Comienzo automático de un retrato de Gala, 1933;
  • El espectro del sex-appeal, 1934;
  • O sono, 1937;
  • Metamorfose de Narciso, 1937;
  • O enigma sem fim, 1938;
  • Tristão e Isolda, 1944;
  • A tentação de Santo Antônio, 1947;
  • Retrato de Pablo Picasso en el siglo XXI, 1947;
  • Galatea das esferas, 1952.

Marx Ernst

Foi o inventor da técnica de “frottage“, onde as impressões eram tiradas de superfícies texturizadas, a exemplo de tábuas ou folhas, e usadas para construir imagens. Além dela, o pintor também usou o “decalcomania“, método em que a tinta é colocada sobre uma superfície, como o vidro e o metal e pressionadas sobre um apoio de tela ou papel.

Entre as suas obras de destaque, é possível listar:

  • Retrato de Eluard, 1921;
  • A queda do anjo, 1922;
  • Mulher Instável, 1923;
  • O exército celestial, 1925;
  • Floresta, 1925;
  • Uma semana de bondade;
  • O anjo da lareira, 1937;
  • A Europa depois da chuva, 1942.

Joan Miró

Joan Miró foi escultor, pintor, gravurista e ceramista surrealista. A sua magia manifestava-se em telas de traços nítidos e formas sinceras na aparência. Porém, como eram feitas em estados de alucinação, elas eram difíceis de serem elucidadas, apesar de se apresentarem de maneira simbólica ao observador.

Conforme o tempo foi passando, Miró diminuiu a quantidade de traços e linhas em suas obras, bem como as cores. O artista também se dedicou à cerâmica e à escultura, nas quais ele conseguiu extravasar suas inquietações pictóricas.

A pintura “Rades, the Village” (A Vila de Rades) é uma das primeiras de Joan Miró. Na obra, é possível perceber a aproximação com o cubismo, o qual ele também aderiu em uma breve passagem pelo Surrealismo.

Frida Kahlo

A artista iniciou a sua carreira na arte surrealista meio que por um acaso. Frida Kahlo negava ser surrealista, pois ela dizia que não pintava, apenas retratava a sua realidade. Ela se interessou por pinturas após ter sofrido um grave acidente.

Ainda que não fosse a sua intenção parecer surrealista, as pinturas de Frida apresentavam abordagem de temas pouco ortodoxos, uso de cores fortes e vivas, e a presença de objetos simbólicos.

Em um ensaio que escreveu para a exposição de Frida em Nova Iorque, o poeta André Breton, um dos principais mentores do movimento, qualificou a sua obra como surrealista, entretanto, mais tarde Frida fez a seguinte declaração: “Pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava a minha própria realidade”.

Além dos artistas citados acima, o Surrealismo também influenciou pinturas de René Magritte, Paul Delvaux, Remedios Varo, Leonor Fini,Alberto Giacometti e Vito Campanella.

Obras do surrealismo de Frida Khalo:

  • As duas Fridas;
  • Frieda e Diego Rivera;
  • A coluna partida;
  • Autorretrato com colar de espinhos e beija flor;
  • O veado ferido;
  • Hospital Henry Ford;
  • Diego e eu;
  • Meu nascimento;
  • Sem Esperança;
  • Umas facadinhas de nada;
  • O quadro;
  • Autorretrato com Tehuana.
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