Resumo de Educação Artística - Modernismo

O Modernismo foi um conjunto de movimentos culturais, vanguardas e estilos que mudaram os rumos das produções artísticas e literárias no início do XX. O objetivo do Modernismo era mostrar que a realidade do momento não mais comportava a mesma forma de fazer arte.

O movimento modernista buscou mostrar que era necessário uma adaptação da visão de mundo com intuito de deixar formas tradicionais das artes plásticas, literatura, design, organização social e da vida cotidiana de lado, para criar uma nova cultura.

O movimento teve destaque, sobretudo, nos campos culturais da literatura, da arquitetura, do design, da escultura, do teatro e da música modernas.

Contexto Histórico do Modernismo

O início do século XX foi marcado por uma série de mudanças históricas. A Revolução Russa em 1917 que trouxe uma série de transformações nas bases socioeconômicas; a abolição da propriedade privada; o fim dos privilégios da nobreza; o fim da Grande Guerra em 1919, e o auge da chamada Bela Época (belle époque) com a expansão e progresso tecnológico, científico e cultural.

Esse cenário favoreceu o surgimento de novas ideias estéticas que deram origem ao que chamamos de Arte Moderna.

Características do Modernismo

  • Ruptura com o passado;
  • Desejo de chocar a opinião pública;
  • Valorização da subjetividade;
  • Busca de inovação de formas;
  • Reprodução estética do mundo que se transformava;
  • Reposta à desintegração social causada pelo cenário de guerra.

Influências do Modernismo

O modernismo bebe da fonte das vanguardas que provocaram uma ruptura com a tradição cultural do século XIX. Essa tendência inaugurou uma estética marcada pela subjetividade artística.

Alguns artistas marcaram o movimento modernista. Na música temos Arnold Schoenberg, criador da música dodecafônica; Kandinsky na pintura; o Cubismo de Pablo Picasso e Georges Braque; os manifestos de Apollinaire; e o Expressionismo de Filippo Marinetti.

Quem também exerceu influência na Arte Moderna foram as teorias freudianas, que diziam que a experiência subjetiva se baseava na relação das partes da mente.

O Modernismo apresentava ainda uma simplificação do discurso. Destaca-se os trabalhos de Joseph Conrad e Mário de Andrade. Essa simplificação se deu pela mudanças nas formas de comunicação, que exigiam uma literatura mais clara e simples de ler.

Modernismo em Portugal

Com uma postura totalmente diferente da adotada pelos poetas românticos e simbolistas, o Modernismo em Portugal surgiu trazendo novas concepções estéticas, se estendendo até na década de 1970.

O Modernismo em Portugal se dividiu em quatro fases: Orfismo, Presencialismo, Neorrealismo e Surrealismo. O Modernismo português contou com nomes como: Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, Irene Lisboa.

  • Orfismo –  Essa fase recebeu esse nome em homenagem à revista Orpheu, fundada em 1915 por um grupo de escritores e artistas plásticos. A revista foi pioneira na divulgação das tendências modernistas vigentes na Europa no século XX.
  • Presencialismo ou Presencismo – A Segunda Fase do Modernismo teve início com a publicação da revista literária Presença, lançada em 1927. A Presença deu continuidade às ideias modernistas, mas seus representantes defendiam uma literatura voltada para o experimentalismo.
  • Neorrealismo –  A Terceira Fase apostou criticar temáticas abordadas na fase anterior como o individualismo e o esteticismo. A estética neorrealista foi divulgada pelas revistas revistas Seara Nova, Sol Nascente e o Diabo, que foram responsáveis por abordar em sua literatura o pensamento Marxista e a rejeição socialismo utópico.
  • Surrealismo –  Última fase do modernismo português, o surrealismo apostou na livre associação de ideias e de palavras. Com um caráter figurativo, as representações artísticas dessa fase representavam a modificação das estruturas da realidade com elementos baseados em conteúdos oníricos (relacionado a sonhos).

Modernismo no Brasil: Semana de Arte Moderna

Não dá para falar em Modernismo sem se referir ao marco desse movimento no Brasil. Embora, o movimento já se fizesse presente no Brasil antes do evento, a Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo, em 1922 foi a data simbólica desse movimento.

Realizado entre 13 e 17 de fevereiro, o evento tinha o objetivo bem claro: chocar o público ao ressignificar o conceito da arte.

A Semana de Arte Moderna abriu as para autores consagrados da literatura brasileira do século XX, como: Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, dentre outros.

Fases do Modernismo Brasileiro

1ª Fase Modernista  ou Fase Heróica – A Primeira Fase do Modernismo Brasileiro (1922-1930) teve início com a Semana de Arte Moderna em 1922. Também chamada de Fase Heroica, sua principal característica foi a busca pela renovação estética.

Os artistas buscaram inspiração nas vanguardas europeias para desenvolver suas obras. Nessa fase percebe-se a influência do cubismo, do futurismo, do surrealismo, dentre outros.

A primeira fase inaugurou uma ruptura com o passado na linguagem literária.  

Os artistas passaram a valorizar a liberdade das formas e o cotidiano. Nesse período que surgiram alguns grupos como o Pau-Brasil, Antropófago e Verde-Amarelismo.

2ª Fase Modernista – A Segunda Fase do Modernismo (1930-1945), também conhecida como a fase da Consolidação, foi marca pela presença da prosa de ficção. O momento foi de consolidação das ideias abordadas na fase anterior. Essa fase do modernismo revelou grandes nomes como Carlos Drummond de Andrade.

3ª Fase Modernista  ou Geração de 45 – Na Terceira Fase (1945-1960), a tendência vista na fase anterior permanece. A prosa predomina nesse momento com a prosa urbana, intimista e regionalista. A Terceira Fase dá lugar também à poesia. É comum o aparecimento de poetas fase anterior que se renovaram.

Foi nesse período que a Geração 45 foi criada. Tratava-se de um grupo de escritores que buscavam uma poesia seria e equilibrada.

Principais autores e obras do Modernismo no Brasil

Mario de Andrade  

Obras: Paulicéia Desvairada (1922), A Escrava que não é Isaura (1925), Losango Caqui (1926), Primeiro Andar (1926), Clã do Jaboti (1927), Amar, Verbo Intransitivo (1927), Macunaíma (1928), Remate de Males (1930), Belazarte (1934), O Aleijadinho e Álvares de Azevedo (1935), O Baile das Quatro Artes (1943), Os Filhos da Candinha (1943), Aspectos da Literatura Brasileira (1943), O Empalhador de Passarinho (1944), Contos Novos (1946), Lira Paulistana (1946).

Oswald de Andrade

Obras: Os Condenados (1922), Memórias Sentimentais de João Miramar (1924), Pau-Brasil (1925), Primeiro Caderno de Poesia do Aluno Oswald de Andrade (1927), Estrela de Absinto (1927), Serafim Ponte Grande (1933), A Escada Vermelha (1934), O Homem e o Cavalo (1934), O Rei da Vela (1937), Marco Zero I – A Revolução Melancólica (1943), Poesias Reunidas (1945), Ponta de Lança (1945), Marco Zero II – Chão (1946), A Crise da Filosofia Messiânica (1950), Um Homem sem Profissão (1954).

Manuel Bandeira

Obras: A cinza das Horas (1917), Carnaval (1919), Poesias (1924), Libertinagem (1930), Estrela da Manhã (1936), Crônicas da Província do Brasil (1936), Poesias Escolhidas (1937), Guia de Ouro Preto (1938), Noções da História das Literaturas (1940), Poesias Completas (1940), Mafuá do Malungo (1948), Literatura Hispano-Americana (1949), Gonçalves Dias (1952), Itinerário de Pasárgada (1954), De Poetas e de Poesia (1954), Frauta de Papel (1957) Poesia e Prosa (1958),  Opus 10 (1952),), Estrela da Tarde (1963), Estrela da Vida Inteira (1966).

Carlos Drummond de Andrade

Obras: Alguma Poesia (1930), Brejo das Almas (1934), Sentimento do Mundo (1940), Poesias (1942), Confissões de Minas (ensaios e crônicas, 1944), A Rosa do Povo (1945), Poesia até agora (1948); Claro Enigma (1951 Passeios na Ilha (ensaios e crônicas, 1952), Viola de Bolso (1952), Fazendeiro do Ar e Poesia até Agora (1953), Viola de Bolso Novamente Encordoada (1955), Poemas (1959), A Vida Passada a Limpo (1959), Lição de Coisas (1962), a Bolsa e a Vida (crônicas e poemas, (1962),  Versiprosa (967), Boitempo (1968), Cadeira de Balanço (1970), Menino Antigo (1973), As Impurezas do Branco (1973), Discurso da Primavera e outras Sombras (1978)

Cecília Meireles

Obras: Espectros (1919), Nunca mais… e Poema dos Poemas (1923), Baladas para EI-rei (1925), Viagem (1939), Vaga Música (1942), Mar Absoluto (1945), Retrato Natural (1949), Ama em Leonoreta (1952), Doze Noturnos de Holanda e o Aeronauta (1952) Romanceiro da Inconfidência (1953), Pequeno Oratório de Santa Clara (1955) Pistóia, Cemiério Militar Brasileiro (1955) Canções (1956), Romance de Santa Cecília (1957), A Rosa (1957), Metal Rosicler (1960), Poemas Escritos na Índia (1962) Antologia Poética (1963) Solombra (1963), Ou isto ou Aquilo (1965), Crônica Trovada da Cìdade de San Sebastian (1965), O Menino Atrasado (1966).

Vinicius de Morais

Obras: O Caminho para a Distância (1933), Forma e Exegese (1935), Ariana, a Mulher (1936), Novos Poemas (1938), Cinco Elegias (1943), Poemas, Sonetos e Baladas (1946), Pátria Minha (1949), Livro de Sonetos (1956), O Amor dos Homens (1960), Para viver um Grande Amor (1962), O Mergulhador (1965 Para uma menina com uma Flor (1966).A Arca de Noé (1970), O Dever e o Haver (inédito).

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