Resumo de Português - Intertextualidade

Intertextualidade é quando um texto faz uma referência explícita ou implícita a um outro texto que já existe. Entende-se aqui como texto, não somente a escrita, mas a produção de textos que envolve tanto a linguagem verbal quanto a não-verbal.

Isto é, a intertextualidade pode acontecer em diferentes gêneros textuais, como pintura, charge, cartum, tirinha, filme, música, novela, propaganda publicitária, livro, poema, poesia, entre outros.

Então, a intertextualidade é o nome dado a relação que há entre dois textos, situações, acontecimentos, etc. Basta fazer referência a outro já existente.  

A intertextualidade pode ser explícita ou implícita. Isto é, referência direta ou indireta.

  • Explícita: é fácil de ser identificada pelo leitor, é uma relação direta com o texto original, há elementos facilmente identificados do texto fonte, não é necessário que o leitor deduza e não exige conhecimento prévio para entender o conteúdo.
  • Implícita: difícil de ser identificada pelo leitor, a relação é indireta com o texto fonte, sem elementos do texto base, requer dedução, análise e atenção do leitor, além de exigir conhecimento prévio do leitor para entender o conteúdo.

Tipos de Intertextualidades

Há várias formas de utilizar a intertextualidade, contudo alguns tipos são mais comuns.

Paródia

É o tipo de intertextualidade que reproduz de forma retorcida o texto original com a intenção de ironizar ou criticar. A paródia não modifica a estrutura do texto base, apenas modifica o conteúdo.

Basicamente permanece a estrutura, mas o texto, o conteúdo, a intenção no novo texto é modificado. Geralmente, a paródia é encontrada em produções cinematográficas, músicas e programas humorísticos.

Exemplo: Paródia da música “Na sua cara” de Anitta e Pablo Vittar, feita pelos youtubers Whindersson Nunes e Caio Oliveira.

Na sua cara

Paródia

Você prepara, mas não dispara
Você repara, mas não encara
Se acha o cara, mas não me para
Tá cheio de maldade, mas não me encara

Você já tá querendo e eu também
Mas é cheio de história e de porém
Virou covarde, tô com vontade
Mas você tá demorando uma eternidade

Se você não vem, eu vou botar pressão
Não vou te esperar, tô cheia de opção
Eu não sou mulher de aturar sermão
Me encara, se prepara
Que eu vou jogar bem na sua cara

Bem na sua cara
Eu vou rebolar bem na sua cara
Bem na sua cara
Hoje eu vou jogar bem na sua cara

 

Minha mãe muda tudo lá em casa
Já tô ficando desesperada
E o meu quarto virou a sala
Agora as minhas coisas, não encontro nada

Eu não sei que poder minha mãe tem
As coisas aparecem quando ela vem
Não acho nada, tô atrasada
Mamãe, vem logo aqui, resolve essa parada

Se eu levantar e achar, puxo meu cinturão
Já te disse, não se faz de doida, não
Tá pensando que vai levar só um carão
Se eu achar, se prepara
Que eu vou esfregar bem na tua cara!

Bem na tua cara
Que eu vou esfregar bem na tua cara
Bem na tua cara
Que eu vou esfregar bem na tua cara

 

Paráfrase

Esse tipo de intertextualidade é a reprodução de um texto com as próprias palavras do leitor, como um forma de reconto. A paráfrase não modifica a estrutura nem o conteúdo do texto original.

O ato de parafrasear é recontar algo mantendo a mesma ideia, intenção do texto pré-existente. A paráfrase é tipo “repetição de uma frase”. O intuito é reafirmar o intenção do texto original, mas com estilo próprio.

Exemplo: Carlos Drummond de Andrade (Europa, França e Bahia) parafraseando Gonçalves Dias (Canção do Exílio).

Canção do Exílio

Europa, França e Bahia

 

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

 

Meus olhos brasileiros se fecham saudosos.
Minha boca procura a “Canção do exílio”.
Como era mesmo a “Canção do exílio”?
Eu tão esquecido de minha terra…
Ai terra que tem palmeiras
Onde canta o sabiá.

Épigrafe

Esse tipo de intertextualidade é o uso de frases, trechos, provérbios e ditados que são apresentados como um vínculo com o texto.

A epígrafe dá apoio temático a um tema que está sendo discutindo no texto. Esse recurso é bastante usado em textos científicos, monografias, artigos, entre outros.

Alusão

A alusão é o tipo de intertextualidade em que faz referência a uma determinada obra, personagem ou situação que já foram apresentados em outros textos.

Exemplo:

  • A mais bonita de todas era sem dúvida Helena – a minha filha e não a outra. (Alusão a Helena de Troia, a mulher mais bonita do mundo.)

Citação

A citação é literalmente a transcrição do texto fonte, deve sempre estar entre aspas e conter a indicação do autor original. A citação é muito usado em artigos acadêmicos, monografias, dissertações, etc.

Quando não é dado crédito ao autor original, é considerado “plágio”. O plágio, é usar algo de outra pessoa como se fosse sua.

Tradução

Poucos sabem, mas a tradução também é um tipo de intertextualidade.

Traduzir consiste em passar um texto de uma determinada língua para outra. Às vezes, essa tradução não é literal e pode vir com interpretação do tradutor.

Isto é, o tradutor precisa interpretar o texto e depois transcrevê-lo na língua a qual deseja. Geralmente, é usado em dublagens, tradução de livros, etc.

Exemplo: Trecho da música “Girls Like you”, de Marron 5.

Inglês

Português

Spent 24 hours, I need more hours with you
You spent the weekend getting even, ooh
We spent the late nights making things right between us

But now it’s all good, babe
Roll that back wood, babe
And play me close

 

Passei 24 horas, preciso de mais horas com você
Você passou o final de semana ficando quieto, ooh
Passamos as madrugadas fazendo as coisas certas entre nós

Mas agora está tudo bem, amor
Rola essa madeira de volta, querido
E me joga perto

 

Crossover

Assim como a tradução, muitos não sabem que “crossover” é um tipo de intertextualidade.

O “crossover” é a aparição ou relação entre personagens que pertencem a universos fictícios diferentes. Isto é, o personagem de um determinada série, aparece em uma série que é universo de outro personagem.

Exemplo: quando a “Supergirl” aparece em um episódio da série “The flash”.

A intertextualidade é um dos assuntos que os estudantes mais encontram dificuldades em entender quando está presente em uma prova.

Essa dificuldade não tem nada a ver com a compreensão dos tipos de intertextualidade, mas sim com o conhecimento de contextos.

Ou seja, o fenômeno da intertextualidade está ligada ao “conhecimento de mundo” que deve ser comum ao produtor do texto e ao receptor.

Isto é, para que o estudante identifique a intertextualidade entre um texto é necessário que saiba a contextualização do mesmo.

Por isso, não basta apenas estudar todos os tipos de intertextualidade, é necessário se informar das coisas que estão acontecendo no mundo.

Até porque, o aluno só será capaz de reconhecer esse fenômeno da intertextualidade se já tiver tido contato com diversos textos fontes ao longo da vida.

Então, uma dica importante é sempre se manter atualizado dos acontecimentos mundiais. Para isto, leia jornais e revistas, busque sites de informação na internet, assista telejornais e leia a mesma notícia em vários veículos diferentes.

Desta forma, ao se deparar com uma questão de intertextualidade em uma prova do Enem, da escola ou de um concurso, irá responder com facilidade a questão.

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