Resumo de Educação Artística - Escultura Barroca

Conheça as principais características e criadores dessa linguagem


Por meio da escultura barroca, podemos identificar algumas das principais características que marcam esse movimento artístico. Desse modo, a análise dessas obras se configura como um importante instrumento para o estudo do estilo barroco e de como ele influência esse tipo de produção artística. 
Na escultura barroca, o melodrama característico do movimento, assim como sua íntima relação com as temáticas religiosas e a busca pela perfeição são marcas preponderantes. É importante ressaltar que essas características estão atreladas ao apoio que o movimento recebe da Igreja Católica, que no período, havia decidido que as artes deveriam destacar temas religiosos. Essa foi uma ação adotada em resposta à Reforma Protestante. 
Neste artigo, vamos discutir como essa orientação do Concílio de Trento está expressa na escultura barroca. Além disso, vamos apontar as principais características dessa expressão artística e conhecer alguns dos principais escultores da Europa e do Brasil

As características da escultura barroca 


A escultura é uma das manifestações artísticas que mais expressam as características do estilo barroco. Por meio dela, verificamos como a questão espiritual, as cenas religiosas, as emoções e a busca pela perfeição estética se fazem presente nas produções desse movimento artístico. 
A influência da Igreja Católica é tamanha no estilo barroco, que a escultura é considerada a forma de arte cristã mais difundida pelo movimento. Por meio dessas obras, os escultures pretendiam reforçar a crença dos católicos. Nesse sentido, eles buscavam construir representações extremamente convincentes. 
É por conta dessa busca que a escultura barroca possui tanta riqueza de detalhes, chegando a beirar a perfeição. Os escultures barrocos desenvolveram técnicas que lhes possibilitaram criar peças com alto grau de fidedignidade com o corpo humano em suas formas, cores e movimentos. E até mesmo a textura de tecidos, armaduras e os outros objetos eles conseguiam representar. 
Desse modo, a escultura barroca consegue inaugurar uma linguagem única na maneira de esculpir. Essa linguagem também é marcada pelo uso de efeitos extravagantes expressos nas decorações luxuosas e em curvas bastante demarcadas. Ainda que outras linguagens artísticas influenciadas pelo barroco não tenham sido capazes de construir um idioma próprio, o movimento promove a associação entre elas como uma forma estilística. 
É o que acontece com a escultura barroca e a arquitetura. No processo de associação das duas linguagens artísticas, a primeira surge como peça decorativa e complementar dos espaços. As estátuas são organizadas em linhas horizontais, construindo uma extensão do edifício. 

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A escultura barroca no Brasil 


No Brasil, o movimento barroco chega no início do período colonial. O movimento artístico é trazido, especialmente, pelos padres jesuítas que, naquele período, estavam empenhados no processo de catequização dos povos indígenas. Uma vez que na história colonial não houve grandes investimentos para construção de edificações por parte das elites, as artes sacras se constituem como principal depósito da influência barroca no país. 
A escultura barroca do Brasil apresenta forte influência europeia, especialmente de Portugal, Itália, França e Espanha. Esse dado é facilmente explicado pelo período histórico no qual o movimento chega ao Brasil. O mineiro Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, é o principal representante da linguagem artística no país. 
A obra “Os Doze Profetas” é o exemplo mais citado de escultura barroca brasileira. Esse trabalho de Aleijadinho integra a construção arquitetônica do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, no município de Congonhas do Campo em Minas Gerais. Além de Minas, produções barrocas podem ser encontradas na Bahia, Rio de Janeiro e Goiás. 

Principais nomes da escultura barroca 


Muitos foram os artistas que assimilaram as características do estilo barroco e reproduziram em suas obras. Mas, alguns deles merecem especial destaque por conta da relevância que os seus trabalhos apresentam para o processo de desenvolvimento e difusão do movimento. É nesse grupo que se encontram os escultores apresentados logo abaixo! 
Gian Lorenzo Bernini 
Esse, com certeza, é o nome mais importante para a escultura barroca. Foi ele quem desenvolveu o estilo de escultura que se popularizou na Itália do século XVII. Bernini era italiano e, desde muito cedo, recebeu todo o apoio necessário para se aperfeiçoar no fazer artístico. Primeiro, por parte de seu pai que chegou a levá-lo para Roma, que era o centro artístico do ocidente. E depois pelo papa Paulo V, que exigiu o imediato início da formação artística de Bernini. 
Algumas das primeiras obras de Bernini foram feitas para o Cardeal Scipione Borghese. Dentre elas estão "Plutão", "Perséfone", "Apolo e Daphne" e sua mais famosa escultura barroca: 'David". Essa obra foi uma resposta ao David de Michelangelo. Além de escultor, Bernini foi pintor, dramaturgo, compositor, designer de teatro e caricaturista. E em 1629, ele foi nomeado arquiteto oficial de São Pedro. 
Aleijadinho 
Ele é o mais importante escultor do barroco no Brasil, ofício que aprendeu do pai e aperfeiçoou com o tio. Aleijadinho começa a ganhar fama no período em que o ciclo do ouro movimentava a economia brasileira, ao mesmo tempo em que atribuía suntuosidade às construções. Contudo, seu trabalho tem a pedra-sabão e a madeira como principais matérias-primas. 
Devido à ausência de assinatura nas obras, identificar todas as peças de autoria de Aleijadinho é uma atividade bastante trabalhosa. Nesse processo, os historiadores contam com o auxílio de documentos oficiais, como contrato de compra e venda. Outro instrumento que possibilita a identificação de suas esculturas são as características próprias do estilo que ele desenvolveu: queixo dividido, nariz grande, olhos amendoados, braços pequenos, boca entreaberta e outros. 
Mestre Valentim 
Esse é o nome pelo qual ficou conhecido Valentim da Fonseca e Silva, o principal representante pela produção de escultura barroca no Rio de Janeiro. Ele foi o primeiro artista do período colonial a produzir estátuas a partir da fundição de bronze. Contudo, esse tipo de escultura foi proibido pela Coroa por conta do risco de que armas fossem fundidas na colônia. 
O acervo produzido por Mestre Valetim conta ainda com esculturas feitas em madeira; obras urbanísticas do Rio de Janeiro, sendo o Passeio Público a mais famosa desse grupo; e algumas peças decorativas, como talhas douradas, guirlandas, buquês de flores, cabeças de querubins e colunas salomônicas. 
Seu trabalho mescla características do Barroco com Rococó e tem como principais esculturas, o "São João Evangelista" (1812), "Grande Cartela com Querubim" (1801) e "Florão com Cabeça de Anjo" (1801-1802). 


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