Questão 3 Comentada - Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco (TJ-PE) - Analista Judiciário - Judiciária - IBFC (2025)

Analise o texto abaixo e responda à questão.


Texto I


Quando começou a enterrar os seus mortos, quando de algum modo construiu um ritual funeral, o homo sapiens há cem mil anos já tinha consciência de sua finitude, de sua presença provisória no mundo. E este ritual funeral marca um novo estágio na vida da espécie homo, a consciência: nasce o homo sapiens sapiens, aquele que tem consciência do próprio saber, aquele que sabe que sabe. Foi esta consciência da fragilidade da vida, foi este choque que nos fez ver a nós mesmos, que nos fez ter a vida em alta conta: a vida é rara, deve ser cuidada, cultivada, mantida.

Foi a necessidade de expansão da vida humana no mundo, foi o seu fortalecimento que nos fez de algum modo pensar: “Preciso me precaver, conhecer as estações, preciso plantar o próprio alimento, cultivar as ervas que curam, preciso fabricar armas, ferramentas, preciso festejar o que ainda tenho e brindar à vida porque a vida é curta e eu quero viver”.

Foi a consciência da fragilidade da vida, do quanto tudo é provisório e instável, que impulsionou os humanos em direção à cultura, mas esta relação entre a vida pensada como natureza, e a cultura no sentido de ação, de intervenção humana no mundo, sempre foi uma relação difícil. É esta relação entre o conhecimento, produto da linguagem e da consciência, e a vida, como a totalidade que nos é dada, que interessa a Nietzsche, e do modo como a espécie humana se relaciona com a natureza, o mundo, a exterioridade que a cerca, mas também com a natureza que traz em seu próprio corpo e que a constitui.

O que Nietzsche faz é propor um exercício de autognose, ou seja, de autoconhecimento da humanidade, como se a própria espécie se colocasse em questão e pensasse: O que temos feito? Que caminhos trilhamos? O que enfim nos tornamos? É com este objetivo que Nietzsche percorre a história da humanidade procurando não aquilo que aparece, mas aquilo que a cultura esconde: O que de fato move a nossa ação no mundo? Que valores reproduz?


(MOSÉ, Viviane. Nietzsche hoje: sobre os desafios da vida contemporânea. Petrópolis, RJ: Vozes. 2018, p.11)


Na passagem “como se a própria espécie se colocasse em questão e pensasse: O que temos feito? Que caminhos trilhamos?” (4º§), o valor semântico das formas verbais nas perguntas indicam, respectivamente, uma ação:

  • A presente; futura em relação ao passado.
  • B pontual no presente; pontual no passado.
  • C futura; habitual no presente.
  • D em processo; passada concluída.

Gabarito comentado da Questão 3 - Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco (TJ-PE) - Analista Judiciário - Judiciária - IBFC (2025)

O trecho apresenta as perguntas retóricas "O que temos feito? Que caminhos trilhamos?". A análise do valor semântico-temporal das formas verbais é a seguinte: "Temos feito" é a forma composta do presente do indicativo do verbo fazer (presente do indicativo do auxiliar "ter" + particípio "feito"). Essa estrutura (presente + particípio) indica uma ação em processo, que se iniciou no passado e se estende até o momento presente, com possível continuação no futuro. Corresponde à noção de aspecto ...

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