Questão 5 Comentada - Prefeitura de Navegantes-2 - Agente de Educação - Instituto Access (2025)

Deixou de ser medo mesmo?


Imagina dar de cara com um medo de infância. Você acha que vai rir e seguir em frente, até que você resolve voltar um pouco à infância e percebe que o medo não ficou tão para trás conforme cresceu. Vi no Twitter uma corrente sobre medos irracionais e encontrei a imagem do lobo mau do Castelo Rá Tim Bum, que já tinha me tirado o sono. Decidi rever o episódio para ver se ele era mesmo tão assustador quanto eu lembrava.

Revendo hoje, aos 23, notei que tudo era divertido até o lobo aparecer. Quando surgiu em close, fechei os olhos como se fosse criança, mesmo sabendo que era só uma fantasia. O episódio continuou, os conflitos se resolveram e eu ainda olhava para a tela com os olhos entreabertos sempre que o lobo surgia.

A fantasia era realmente muito feia, e entendi por que meu eu pequeno teve pesadelos. Ainda assim, reencontrei uma memória afetiva e até engraçada. Acho que hoje o lobo já não me tira o sono − os medos de gente grande fazem isso, mas rendeu uma boa história para guardar e contar.

Texto Adaptado

BARBOSA, Catarina Virginia. Deixou de ser medo mesmo? In: Livros Abertos USP. São Paulo: Universidade de São Paulo. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/downlo ad/730/648/2404?inline=1 . Acesso em: 12 nov. 2025


Com base no texto apresentado, assinale a alternativa cuja interpretação revela maior consonância com o sentido global do relato e com os recursos discursivos empregados pelo enunciador.

  • A O texto se estrutura sobre a constatação de que os medos da infância perdem a validade com o tempo, pois são substituídos por experiências que racionalizam afetos anteriormente desproporcionais.
  • B O relato revela que o processo de amadurecimento não elimina completamente os medos antigos, sugerindo que o temor pode persistir como resquício emocional, mesmo à luz da razão adulta.
  • C A narrativa constrói uma oposição entre o medo infantil e o amadurecimento racional do adulto, evidenciando que as memórias afetivas são incapazes de perpetuar temores na vida adulta.
  • D O texto inscreve-se em um modelo descritivo que explora o valor simbólico da figura do lobo como representação universal do medo, superado apenas pelo enfrentamento consciente dos traumas infantis.