Questão 4 Comentada - Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) - Vestibular 2020/1 - RS (2019)

    Os fenômenos da linguagem examinavam-se outrora apenas à luz da gramática e da lógica, e já era muito se a análise reconhecia como palavras expletivas ou de realce os termos sobejantes¹ unidos à oração ou nela encravados.
    Hoje que a ciência da linguagem investiga os fatos sem deixar-se pear² por antigos preconceitos, já não podemos levar essas expressões à conta da superfluidades nem ainda atribuir-lhes papel decorativo, o que seria contrassenso, uma vez que rareiam no discurso eloquente e retórico e se usam a cada instante justamente no falar desataviado de todos os dias.
    Uma coisa é dirigirmo-nos à coletividade, a pessoas desconhecidas, de condições diversas, e que nos ouvem caladas; outra coisa é tratar com alguém de perto, falar e ouvir, e ajeitar a cada momento a linguagem em atenção a essa pessoa que está diante de nós, para que fique sempre bem impressionada com as nossas palavras.

(Said Ali, Meios de Expressão e Alterações Semânticas, RJ)

¹sobejantes: demasiados, excessivos, de sobras.
²pear: prender.


Conforme o autor:

  • A A gramática e a lógica reconheciam outrora a análise das partículas de realce.
  • B A gramática e a lógica analisavam apenas os termos sobejantes da oração.
  • C A linguagem era iluminada outrora apenas pela análise dos termos de realce.
  • D As palavras excedentes encaixadas na oração, classificadas como termos de realce, constituíam, até então, os limites da análise.
  • E As palavras expletivas e ilógicas sobravam nas orações de realce, desde que reconhecidas como fenômenos da linguagem.