Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT-SP) - Advogado - VUNESP (2014) Questão 3

Juros e marshmallows




Formação de poupança, taxa de juros, r > g, na agora célebre formulação de Thomas Piketty. Expressos em economês, esses conceitos têm algo de impenetravelmente abstrato. Mas tudo isso pode se tornar um pouco mais compreensível se recorrermos à psicologia.

Sob essa chave interpretativa, a taxa de juros é a expressão monetária da recompensa diferida, ou melhor, o prêmio que se paga à paciência. O sujeito que aceita deixar de consumir já e guarda seu dinheiro recebe uma gratificação por seu autocontrole. Essa faceta psicológica, embora não dê conta de explicar todos os aspectos da taxa de juros, ajudaria a compreender sua relativa estabilidade. Historicamente, ela fica em torno dos 4% ou 5% ao ano, que seriam o preço-base da impaciência humana.

O interessante é que a noção de recompensa diferida não serve só para ajudar a entender a economia. Ela se revelou também um teste de inteligência emocional com alto valor preditivo sobre o sucesso de pessoas.

Tudo começou nos anos 60 com o experimento do marshmallow. O psicólogo Walter Mischel, de Stanford, estava interessado em saber como crianças resistiam a tentações. Assim, colocava garotos de quatro anos numa sala diante de um marshmallow e lhes dava duas opções. Poderiam tocar uma campainha, encerrar o experimento e devorar a guloseima, ou aguardar a volta do pesquisador, que então lhes entregaria um segundo marshmallow.

Anos depois, Mischel correlacionou o tempo que elas conseguiram esperar com indicadores de sucesso. Constatou que as que conseguiram esperar mais se saíram melhor nos exames acadêmicos, tinham menos problemas com drogas, menores taxas de divórcio e até menor peso.

Não podemos, decerto, transpor esses achados individuais para sociedades, mas será que as altas taxas de juros no Brasil não dizem algo sobre nossa saúde mental coletiva?


(Hélio Schwartsman, Folha de S.Paulo, 13.07.2014. Adaptado)


Considerando o contexto, a forma verbal destacada em – Historicamente, ela fica em torno dos 4% ou 5% ao ano... (segundo parágrafo) – está corretamente substituída, preservando-se o sentido de uma ação que se iniciou no passado e se prolonga até o presente, por

  • A ficará.
  • B ficava.
  • C tinha ficado.
  • D tem ficado.
  • E teria ficado.

Questões Relacionadas de Significação Contextual de Palavras e Expressões

Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, sinônimos para os termos destacados na sequência de Lima Barreto, adequados ao contexto estabelecido pelo crítico e historiador Alfredo Bosi.

Além disso, o médico que tem em sua frente um doente, de que a polícia é tutor e a impersonalidade da lei, curador, por melhor que seja, não o tem mais na conta de gente, é um náufrago, um rebotalho da sociedade, a sua infelicidade e desgraça podem ainda ser úteis à salvação dos outros, e a sua teima em não querer prestar esse serviço aparece aos olhos do facultativo como a revolta de um detento…

  • A Conselheiro, isolado, qualquer, administrador.
  • B Responsável, desaparecido, marginal, comissário.
  • C Defensor, fracassado, resíduo, médico.
  • D Protetor, malsucedido, arruinado, juiz.
  • E Vigário, degradado, vulgo, advogado.

A palavra em destaque no trecho: “Mas o sorriso de quem sofre é ainda mais lindo, pois além de sofrer têm a capacidade de sorrir.”, poderia ser substituída sem prejuízo de sentido por:

  • A Portanto
  • B E
  • C Porém
  • D Mas
  • E Porquanto

Acerca das ideias e dos sentidos do texto CB1A1-II, julgue o item a seguir.


Na linha 13, o advérbio “inextricavelmente” tem o significado de inexoravelmente.

  • Certo
  • Errado