Questão 4 Comentada - Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) - Assistente Social - VUNESP (2020)

Descanso ensurdecedor

    Uma explicação evolucionista para a qualidade contagiosa dos bocejos reza que eles servem para sincronizar o ciclo de sono e vigília em grupos humanos, desde o tempo das cavernas. Numa cidade de 12 milhões de habitantes, há muito isso se tornou impossível.

    Nessa megamultidão sempre haverá notívagos e madrugadores, os que podem dispor da noite para divertir-se e os que precisam padecer horas a fio em meios de transporte para chegar ao trabalho.

    Sem chance de coordenar suas atividades, resta torná­-las compatíveis por meio de regras de convivência, e compete ao poder público garantir seu cumprimento.

    Dormir bem, afinal, constitui direito do cidadão. O sono é imprescindível para recuperar o corpo de fadigas e até para a mente fixar coisas aprendidas durante o dia, mas quem consegue adormecer e descansar na metrópole barulhenta?

    Poucos saberão, mas vigora em território paulistano uma norma que estipula o máximo de 60-65 decibéis de ruído no período diurno e 50-55 no noturno, a depender da classificação urbana da área.

    O limiar legal para a madrugada fica pouco acima do volume recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), 40 decibéis, o equivalente a uma conversa em voz baixa.

    A iniciativa Mapa do Ruído, por exemplo, já mediu 92 decibéis em ruas do Brás. O munícipe conta com um serviço de denúncias e reclamações da prefeitura, pelo telefone 156, mas as 440 multas aplicadas neste ano pelo programa Psiu não parecem surtir muito efeito.

    Considere-se o bairro de Santa Cecília, primeiro no ranking das queixas. Só em 2019 acumularam-se 595 reclamações. As próximas vítimas do descaso ensurdecedor são os moradores de Pinheiros, que fizeram 511 denúncias neste ano.

    A gastronomia e a vida noturna de São Paulo constituem um patrimônio cultural da metrópole, não se discute. Há que fiscalizar e punir com mais rigor, no entanto, quem as utiliza como álibi para perturbar o sono alheio.

(Editorial. Folha de S.Paulo, 27.11.2019. Adaptado)



Em conformidade com os sentidos do texto e com a norma-padrão, o último parágrafo pode ser finalizado com a frase:

  • A À prefeitura cabe infligir dor do bolso naqueles que gostam de arruaça.
  • B A prefeitura cabe infligir à dor no bolso daqueles que gosta de arruaça.
  • C À prefeitura cabe infligir dor no bolso à quem gosta de arruaça.
  • D A prefeitura cabe infligir a dor no bolso aqueles que gostam de arruaça.
  • E À prefeitura cabe infligir dor ao bolso de quem gosta de arruaça.

Gabarito comentado da Questão 4 - Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) - Assistente Social - VUNESP (2020)

A questão aborda regência verbal e nominal, além de crase. O verbo "infligir" é bitransitivo, exigindo objeto direto (a coisa infligida) e objeto indireto (a quem se inflige), este último com a preposição "a". O verbo "caber" no sentido de pertencer/competir é transitivo indireto, pedindo a preposição "a". O verbo "gostar" é transitivo indireto, com a preposição "de". ALTERNATIVA (A) INCORRETA – Em "À prefeitura" o acento indicativo de crase está correto, resultado da preposição "a" (exigida ...

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