Leia o fragmento de texto.
Maquiavel é um homem todo da sua época; e a sua ciência política representa a filosofia do tempo, que tende para a organização das monarquias nacionais absolutas, a forma política que permite e facilita um ulterior desenvolvimento das forças produtivas burguesas. Em Maquiavel pode descobrir-se in nuce (de forma concisa) a separação dos poderes e o parlamentarismo (o regime representativo): a sua “ferocia” dirige-se contra os resíduos do mundo feudal, e não contra as classes progressistas. O Príncipe deve pôr termo à anarquia feudal (...).
(GRAMSCI, António S. F. Obras Escolhidas. Editorial Estampa. Lisboa, 1974. Pp. 273-274.)
António Gramsci aprofundou seus estudos sobre “A Política como Ciência Autônoma”, retornando à Maquiavel, quando esse delineou os princípios fundamentais para a constituição dos Estados Modernos, e chamou a atenção para uma série de considerações que devem ser feitas acerca do momento em que Maquiavel elaborava seus estudos, que se apresentava “estreitamente ligado às condições e às exigências de seu tempo”, tais como:
- A a ascensão social e econômica de sua próspera burguesia mercantil que, associada à nobreza clerical, patrocinaram o Renascimento Cultural e Científico, sem nenhuma objeção da Igreja Católica
- B o enfrentamento entre as inúmeras Repúblicas “italianas”, como Veneza, Gênova, Florença, Milão e Pisa, visando buscar um equilíbrio interno e entre esses e os Estados europeus que buscavam hegemonia
- C a prosperidade social e econômica que marcavam aPenínsula Itálica à época, fruto, especialmente, do pioneirismo de suas prósperas Repúblicas no processo de Expansão Marítima e Comercial europeia (séculos XV e XVI)
- D as inúmeras convulsões sociais que assolaram a Península itálica, marcadas pelo apoio ao poder papal que buscava liderar o processo de Unificação política, territorial e administrativa, contrário aos fortes poderes localistas feudais