Questão 2 Comentada - Câmara Municipal de Suzano - São Paulo - Agente Legislativo - VUNESP (2022)

Leia a crônica de Rubem Braga para responder a questão.

Cafezinho

        Leio a reclamação de um repórter irritado que precisava falar com um delegado e lhe disseram que o homem havia ido tomar um cafezinho. Ele esperou longamente, e chegou à conclusão de que o funcionário passou o dia inteiro tomando café.

        Tinha razão o rapaz de ficar zangado. Mas com um pouco de imaginação e bom humor podemos pensar que uma das delícias do gênio carioca é exatamente esta frase:

        – Ele foi tomar café.

        A vida é triste e complicada. Diariamente é preciso falar com um número excessivo de pessoas. O remédio é ir tomar um “cafezinho”. Para quem espera nervosamente, esse “cafezinho” é qualquer coisa infinita e torturante.

        Depois de esperar duas ou três horas dá vontade de dizer:

        – Bem, cavaleiro, eu me retiro. Naturalmente o Sr. Bonifácio morreu afogado no cafezinho.

        Ah, sim, mergulhemos de corpo e alma no cafezinho. Sim, deixemos em todos os lugares este recado simples e vago:

        – Ele saiu para tomar um café e disse que volta já.

        Quando a bem-amada vier com seus olhos tristes e perguntar:

        – Ele está?

        – Alguém dará o nosso recado sem endereço.

        Quando vier o amigo e quando vier o credor, e quando vier o parente, e quando vier a tristeza, e quando a morte vier, o recado será o mesmo:

        – Ele disse que ia tomar um cafezinho...

        Podemos, ainda, deixar o chapéu. Devemos até comprar um chapéu especialmente para deixá-lo. Assim dirão:

        – Ele foi tomar um café. Com certeza volta logo. O chapéu dele está aí...

        Ah! fujamos assim, sem drama, sem tristeza, fujamos assim. A vida é complicada demais. Gastamos muito pensamento, muito sentimento, muita palavra. O melhor é não estar.

       Quando vier a grande hora de nosso destino, nós teremos saído há uns cinco minutos para tomar um café. Vamos, vamos tomar um cafezinho.

(Rubem Braga.https://www.culturagenial.com/ cronicas-famosas-comentadas/Acesso: 18.11.2021)


A passagem – Podemos, ainda, deixar o chapéu. Devemos até comprar um chapéu especialmente para deixá-lo. (14º parágrafo) – evidencia que o cronista

  • A entende que o chapéu é de uso obrigatório, especialmente pelas autoridades.
  • B argumenta que o delegado merece ser presenteado com um chapéu novo.
  • C considera que um chapéu faz parte do aparato pessoal de um delegado.
  • D reforça a ideia do comentário de que o funcionário foi tomar um cafezinho.
  • E concorda que o chapéu na mesa de trabalho é esquecimento do funcionário.

Gabarito comentado da Questão 2 - Câmara Municipal de Suzano - São Paulo - Agente Legislativo - VUNESP (2022)

O trecho citado, inserido no contexto da crônica, utiliza a ironia para reforçar a justificativa dada para a ausência do delegado. A expressão "tomar um cafezinho" é tratada pelo narrador como um ritual que requer até mesmo um adereço (o chapéu) para ser deixado sobre a mesa, simulando uma breve ausência. A sugestão hiperbólica de comprar um chapéu especificamente para esse fim intensifica o tom crítico em relação ao hábito burocrático de se ausentar do posto de trabalho, corroborando a ideia...

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