Questão 1 Comentada - Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará (CBM-CE) - 2º Tenente do Quadro de Oficiais Bombeiros Militares (QOBM) - CONSULPAM (2025)

TEXTO I

A “ECONOMIA DA ATENÇÃO” E A CAPTURA DA VIDA

Como as coisas mudam rápido. Sempre tivemos fofocas de família, trabalho e vizinhança, e a missa dominical para nos manter na linha. Depois surgiram as falas dos governantes no rádio, uma forma de comunicação em massa. Mais tarde, a TV, a internet, e depois a bagunça global: “Se perguntarmos ao ChatGPT sobre as principais tecnologias que impulsionam essa revolução, ele mencionará Inteligência Artificial(IA) e aprendizado de máquina; robótica e automação; Internet das Coisas; impressão 3D; blockchain; realidade virtual e aumentada; redes 5G; computação quântica; big data e cibersegurança.”

Dizer que tudo isso é de tirar o fôlego é um comentário preciso. Nossa atenção é invadida por todos os sentidos, estamos grudados em todos os tipos de telas. Posso tentar ler um artigo sensato sobre um assunto que me interessa, mas vou ter pequenas telas aparecendo, estorvando meus esforços para me concentrar. Não são interesses econômicos tentando chamar minha atenção para coisas úteis: é a batalha econômica pelo meu tempo. E não é apenas a Revolução Industrial 4.0, é outro sistema. A conectividade em massa e global está gerando uma nova civilização. Não são General Motors ou Toyota que estão no centro das corporações mais valiosas do mundo: Apple, Microsoft, Alphabet, Amazon e algumas outras gerenciam o que ouvimos e vemos. Estão criando, com informações privadas invasivas, uma nova economia de atenção.

(...)

Não devemos subestimar a absorção do tempo de nossas vidas – é nosso ativo não renovável mais importante – pelos videogames. Bilhões de usuários, entretenimento móvel, atingindo diferentes gerações (a idade média é de 38 anos) predominantemente masculino (59%), o setor realmente nos pega pelos olhos. Aqui novamente encontramos Amazon, Apple, Google, mas também Tencent e outros na Ásia. O uso se tornou obsessivo para tantos, nos afastando da cultura, da arte, da criatividade e do tempo livre para deixar nossa atenção vaguear.

Esta breve visão geral visa chamar nossa atenção precisamente para a questão-chave: estamos perdendo o controle sobre nossa atenção, e isso significa o tempo e o sentido de nossas vidas. Max Fisher, em seu livro The Chaos Machine: how the social media rewired our minds and our world [“A máquina do caos: como as redes sociais reconfiguraram nossas mentes e o nosso mundo”], trouxe uma descrição detalhada do grau de controle que o sistema permite: “O fato de eles terem conseguido analisar e organizar bilhões de horas de vídeo em tempo real, e depois direcionar bilhões de usuários pela rede, com esse nível de precisão e consistência, foi incrível para a tecnologia e demonstrou a sofisticação e poder dos algoritmos.”

O progresso tecnológico é positivo em si mesmo. A revolução digital abre enormes oportunidades para a humanidade, mas não nas mãos das gigantes corporativas. A atenção é o elementochave do que somos, do que escolhemos ser. Gosto de deixar minha mente vagar um pouco, e um sistema global que direciona nossas mentes de acordo com os interesses globais se tornou um enorme desafio a enfrentar.


Disponível em:<https://editoraelefante.com.br/a-economia-da-atencao-e-a-captura-da-vida/?srsltid=AfmBOooMzzcbLB_Uj-FEU8U5j2hVMOVPMvbwfNNYDqMRMcRjmM8A_tlB)\> .

Adaptado. Acesso em: 29 de setembro de 2025.


TEXTO II

Imagem relacionada à questão do Questões Estratégicas
Fonte: <https://www.collater.al/en/pawel-kuczynski-satiricalillustrations/>


A expressão “bagunça global” utilizada no texto, em oposição a “fofocas de família”, “missa dominical” e “falas dos governantes no rádio”, evidencia que o autor considera a evolução da comunicação como um processo de:

  • A Avanço tecnológico desorganizado e sem regras claras.
  • B Democratização gradual das informações, apesar dos desafios iniciais.
  • C Perda de controle e invasão da esfera privada por um sistema opressor.
  • D Fragmentação da atenção em que a mídia tradicional perdeu seu espaço.
  • E Crescimento desenfreado da indústria do entretenimento sem uma finalidade clara.