Texto para a questão:
O homem que se endereçou
Apanhou o envelope e na sua letra cuidadosa subscritou a si mesmo: Narciso, rua Treze, nº 21.
Passou cola nas bordas do papel, mergulhou no envelope e fechou-se. Horas mais tarde a empregada colocou-o no correio. Um dia depois sentiu-se na mala do carteiro. Diante de uma casa, percebeu que o funcionário tinha parado indeciso, consultara o envelope e prosseguira. Voltou ao DCT, foi colocado numa prateleira. Dias depois, um novo carteiro procurou seu endereço. Não achou, devia ter saído algo errado. A carta voltou à prateleira, no meio de muitas outras, amareladas, empoeiradas. Sentiu, então, com terror, que a carta se extraviara. E Narciso nunca mais encontrou a si mesmo.
BRANDÃO, Ignácio de Loyola. Cadeiras proibidas. São Paulo: Global, 2003.
Pode-se inferir que o objetivo do escritor ao redigir o conto era:
- A trazer à tona uma imagem negativa e caótica das repartições públicas.
- B retratar a vida de um homem que passou a vida tentando se encontrar dentro dos obstáculos da vida e, por provavelmente ter uma vida ditosa, endereça-se a si mesmo.
- C fazer uma crítica a realidade social da época a partir de uma história sobrenatural.
- D levar o leitor a refletir que muitas pessoas se preparam para um caminho e/ou objetivo, porém por percalços da vida não conseguem atingi-lo.