Considere o excerto abaixo:
O corpo que se movimenta sem seguir um eixo fixo ou uma ordem previsível não se prende a uma narrativa linear. Ele se expande, cria conexões, rompe fronteiras e se reinventa a cada gesto. Não há um centro que o governe, nem hierarquias entre suas partes. Cada impulso pode gerar outro, cada fragmento pode tornar-se origem. É um corpo que pensa com o espaço, que se deixa afetar por sons, luzes e presenças, construindo sentido não por imitação, mas por contágio. Esse corpo não obedece à forma, mas à intensidade. Ele não representa; ele produz. Suas ações não são respostas, mas bifurcações que abrem caminhos inesperados, nos quais a experiência sensorial se mistura à imaginação e à memória. Em cena, ele não está "a serviço" de um personagem ou de uma história, mas de uma rede de forças que o atravessam — desejo, acaso, ruído, respiração. Trata-se de um corpo que se desdobra em muitos, que se multiplica na relação com o outro e com o ambiente. Cada contato, cada movimento mínimo, é uma possibilidade de criação. Sua potência não está na unidade, mas na diversidade de conexões que estabelece, como se o próprio ato de mover-se fosse um pensamento em expansão.
O excerto se refere ao conceito de:
- A Corpo em devir.
- B Gestus social.
- C Pré-expressividade.
- D Corpo rizomático.