Texto para responder à questão.
“Menino, menino”, a voz do pai chamou pela casa antes do sol nascer.
Era um convite para o despertar.
Os irmãos mais velhos já estavam de pé. Mas Julim, que dormia em sua rede, queria era ficar um pouco mais no seu sonho.
O pai tentava de novo, “Menino, menino, levanta!”. E aquela voz se misturava à bagunça do seu sono.
Os sons viravam ruído de bichos e de natureza, rumor de vento e cheiro de chuva.
“Menino, menino”, escutava outra vez. Então Julim se levantou da rede.
Uma chama de luz do candeeiro iluminava o breu antes dos pássaros se levantarem em alvoroço, antes do galo anunciar que o dia ia raiar.
Enquanto o sol coloria o horizonte, homens, mulheres e crianças se movimentavam para os campos de arroz.
“É bom que tragam as crianças”, dizia o chefe aos trabalhadores. “As crianças correm pelos campos e as pragas, assustadas, vão embora.”
Julim pensava que as pragas deviam ser terríveis.
As crianças corriam pelo arrozal com caniços e galhos secos. Quem os visse rindo e gritando, diria que era mais uma brincadeira.
Mas a aparência de diversão se desfazia quando o pai falava: “Meninos, meninos, não deixem o chupim levar o arroz, meninos”.
“Então a praga é o chupim? Mas que mal pode fazer um passarinho?”, pensou Julim.
Ele balançava o seu galho bem devagarinho para não os assustar.
O menino tinha aprendido a amar os passarinhos. Com tanto arroz nos campos, alguns grãos não fariam falta. Afinal, eles eram tão pequeninos...
VIEIRA JUNIOR, Itamar. Chupim. São Paulo: Baião, 2024.
O foco narrativo do texto é em terceira pessoa. Assinale a alternativa que apresenta uma explicação para essa afirmação.
- A A voz do pai de Julim é o elemento principal que impulsiona a narrativa.
- B O texto utiliza o pronome em primeira pessoa para se referir à personagem principal: Julim.
- C A presença de diálogos entre as personagens indicados por aspas, como em “Menino, Menino”.
- D O narrador relata os pensamentos e as ações de uma personagem, como em “Julim pensava que as pragas deviam ser terríveis”.