Texto 2
Nunca se sabe direito a razão de um amor. Contudo, a mais frequente é a beleza. Quero dizer, o costume é os feios amarem os belos e os belos se deixarem amar. Mas acontece que às vezes o bonito ama o bonito e o feio o feio, e tudo parece estar certo e segundo a vontade de Deus, mas é um engano. Pois o que se faz num caso é apurar a feiura e no outro apurar a boniteza, o que não está certo, porque Deus Nosso Senhor não gosta de exageros; se Ele fez tanta variedade de homens e mulheres neste mundo é justamente para haver mistura e dosagem e não se abusar demais em sentido nenhum. Por isso também é pecado apurar muito a raça, branco só querendo branco e gente de cor só querendo os da sua igualha — pois para que Deus os teria feito tão diferentes, se não fora para possibilitar as infinitas variedades das suas combinações?
(QUEIROZ, Rachel de. Os dois bonitos e os dois feios. In: SANTOS, Joaquim Ferreira dos (org.). As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007).
A respeito do texto 2, é correto afirmar que:
- A O trecho tem natureza expositiva, em que a autora apresenta seu ponto de vista sobre a mestiçagem no Brasil.
- B O texto faz uso de argumentos religiosos para defender ideias antirracistas, pois a autora acredita que o casamento inter-racial é o mecanismo mais eficiente contra o racismo.
- C O parágrafo acima está organizado por meio de raciocínio de causa e consequência, segundo o qual apenas os belos são amados, isto é, a beleza seria a causa geradora do amor
- D A tese da autora é que Deus teria criado os homens diferentes para que se misturassem, para que as características de um fossem contrabalançadas pelas características do outro e, assim, pudesse haver mais equilíbrio.