Companhia de Desenvolvimento de Nova Odessa (CODEN) - Advogado (2021) Questão 4

Leia o texto para responder a questão:

Como as democracias adoecem
Para saber como as democracias morrem há legistas mais capazes na autópsia. Mas, para diagnosticar como adoecem, melhor observar o mal-estar dos fatos polêmicos à luz da ousadia pessoal dos influentes que os cometem e da letargia cívica com que os influenciados reagem a eles. Lesões oportunistas são obra de ideologias diversas que enfraquecem uma nação e comprometem sua saúde democrática.
Neste artigo, olho um período cheio de egolatrias em que ficamos à mercê da marca do outro. Assim como a gula, apetite sem limite de quem se sente situado no topo da cadeia alimentar, a voracidade é mecanismo próprio do mau instinto de quem não tem predador natural.
Se todos têm suas próprias razões no que fazem e estão tão mergulhados de interesse nelas, não se trata de liberdade de pensamento e é difícil imaginar reflexão de boa-fé. Existem ficções e existem fatos concretos. Embora pouco praticada entre nós, a psico-história da política costuma ser mais hábil para entender os venenos sutis que alimentam a ambição dos que são notícia.
Anda, evidente, muito mal conduzida nossa democracia. Mas isso não significa que tenha morrido. Lembra mais a lenda brasileira de que ninguém presta e não vai dar em nada. Lenda que impulsiona o caráter arbitrário do tipo que manda ver. Um costume primitivo, institucional, cuja dimensão ainda não compreendemos inteiramente. É onde estacionou a curva da civilização brasileira e dali jamais passou. Ali onde o mundo em que são cometidos crimes e as aberrações legais ameaça ficar parecido com o mundo onde deveria ser possível corrigir suas consequências.
(Paulo Delgado, “Como as democracias adoecem”.
https://opiniao.estadao.com.br. 12.02.2020. Adaptado)


Ao tratar da democracia no último parágrafo, o autor sugere que ela

  • A destruiu, com rigor, as bases de um costume tradicional e institucionalizado.
  • B inexistiu, de fato, na sociedade brasileira, considerando a civilização do país.
  • C chancela a premissa corrente de que ninguém presta na sociedade brasileira.
  • D resiste na sociedade brasileira, apesar da limitação da civilização brasileira.
  • E corresponde a um conceito de caráter arbitrário cuja dimensão é desconhecida.

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