Prova da Universidade Federal de Uberlândia (UFU-MG) - Economista - UFU-MG (2025) - Questões Comentadas

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A crônica em forma de diálogo leva o título "Como fazer amor" e a assinatura de "Gabriel García Márquez". Não admira que, com credenciais tão chamativas, circule há semanas pelas redes, compartilhada com sucesso sempre garantido.
"Ah, só podia ser o nosso Gabo!", "Nossa, amo Gabriel García Márquez", "Quanta sensibilidade, perfeito!", "Só mesmo a literatura pra nos trazer tanta verdade humana" são alguns dos comentários que o texto vem suscitando.
Até aí, podia ser uma história bonita: as reflexões de um grande escritor morto sobre o amor continuam a comover leitores no mundo digital, tirando-os do embotamento do dia a dia. Não é inspirador?
Mais do que isso, uma prova de que, mesmo enamorada outra vez do fascismo e à beira de uma catástrofe ambiental sem precedentes, a velha humanidade ainda nos permite ter alguma esperança, certo?
Errado. O sucesso feito por "Como fazer amor" é parte do problema e não da solução. García Márquez é tão autor dessa crônica quanto eu escrevi um romance chamado "Cem Anos de Solidão".
Como eu sei disso? Entre incontáveis razões, porque o escritor colombiano ia preferir encarar um pelotão de fuzilamento a escrever uma frase como "tocar-nos com a ternura dócil de uma carícia que se expanda docemente até morrer num abraço", pérola de pieguice que no tal diálogo tem como resposta "Ai, que lindo". [...]
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2024/09/a-era-de-ouro-do-analfabetismo-critico.shtml. Acesso em: 08 set. 2024.

No trecho negritado, e no parágrafo que se segue, o autor emprega uma estratégia argumentativa que tem como efeito principal

  • A utilizar uma comparação hiperbólica para criticar a qualidade da crônica, sugerindo que o prestígio de Cem Anos de Solidão torna impossível que o texto pertença ao mesmo autor.
  • B ironizar a falsa autoria da crônica, evidenciando o contraste entre o estilo sofisticado de Gabriel García Márquez e a pieguice presente no texto atribuído a ele.
  • C destacar a aceitação ingênua do público sem explorar o contraste estilístico entre o texto e o verdadeiro trabalho de García Márquez.
  • D sugerir, de maneira objetiva, que a crônica pode ter sido escrita por alguém menos renomado, questionando a qualidade literária do texto atribuído a García Márquez.

A concessão de bolsas em colégios de elite para alunos de baixa renda é importante ferramenta para a diminuição de desigualdades.
Mas a conquista dessa oportunidade é só o primeiro obstáculo a ser superado. Após a matrícula, surgem outros, baseados em diferenças sociais. O suicídio de um bolsista que havia contado sofrer discriminação numa escola paulistana, em agosto, acendeu o debate sobre o tema.
A Folha ouviu relatos em outras escolas que incluem desde manifestações indiretas de preconceito até as mais explícitas.
Alunos que não pagam mensalidade apontam limitações na socialização, como não serem convidados para festas ou terem sua vestimenta criticada. O problema se agrava com piadas e apelidos discriminatórios sobre a situação econômica dos bolsistas, e até sobre raça e sexualidade.
Além do bullying, presencial e online, há reclamações sobre a estrutura de ensino.
Algumas instituições ofertam aulas apenas à noite para os bolsistas – que não podem entrar na escola antes do horário das aulas – ou em prédios separados. Uma aluna contou que até competições esportivas eram separadas entre os que pagavam e os que não pagavam mensalidade. [...]
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2024/09/preconceito-contra-bolsistas-vem-a-tona.shtml. Acesso em: 09 set. 2024.

Com base nas características do gênero discursivo, a sequência textual que predomina no texto apresentado é

  • A argumentativa, ao posicionar-se sobre as desigualdades e discriminação nas escolas de elite, contrapondo-se às práticas de exclusão social enfrentadas pelos alunos bolsistas.
  • B narrativa, ao relatar episódios de preconceito e exclusão vividos pelos bolsistas, enfocando suas experiências dentro do ambiente escolar.
  • C descritiva, ao apresentar as características do ambiente escolar e as interações entre bolsistas e alunos pagantes, destacando aspectos observáveis do cotidiano escolar.
  • D expositiva, ao fornecer informações e detalhes sobre as condições de ensino dos bolsistas e as práticas de segregação nas escolas de elite.

A ironia é que procrastinar exige energia, mas seus esforços estão indo na direção errada. Você não é exatamente preguiçoso, porque está sendo produtivo em outra coisa. Você sabe que não está focado nas suas prioridades e que está fazendo algo contra a consciência do seu “cérebro pensante”, mas mesmo assim adia o que tem de ser feito. Evitar isso amplifica a ansiedade quanto mais perto você chega do prazo. Então, por que nos torturamos desse jeito?
Especialistas sugerem que a procrastinação está frequentemente associada à autorregulação emocional. É comum que sentimentos negativos ligados a determinadas tarefas nos impeçam de concluir o que precisamos fazer.
Na ausência de ansiedade, normalmente aproveitamos a oportunidade para fazer aquilo que nos entusiasma. Se você teme responder a uma caixa de e-mails cheia, é mais provável que adie essa tarefa. Mas se você está ansioso para ir à praia, vai querer ir o mais rápido possível.
Disponível em: https://forbes.com.br/carreira/2024/09/procrastinacao-como-parar-de-adiar-tarefas-e-fazer-o-quedeve-ser-feito/. Acesso em: 15 set. 2024.

No trecho em negrito, a comparação entre os dois comportamentos tem o efeito de

  • A sugerir que o adiamento de tarefas é inevitável diante de atividades mais atrativas, justificando o comportamento procrastinador em situações específicas.
  • B apresentar a procrastinação como uma reação natural a tarefas repetitivas e burocráticas, sem considerar outros fatores emocionais que poderiam influenciar o comportamento.
  • C criar um contraste superficial entre obrigações e lazer, suavizando a seriedade da procrastinação e minimizando as suas implicações emocionais.
  • D destacar como o adiamento de tarefas desagradáveis contrasta com a prontidão para realizar atividades prazerosas, enfatizando o papel das emoções na procrastinação.

[...] Comece sua jornada com uma nota positiva, fazendo um exercício de visualização na manhã antes de partir. Lauren Lauterbach e Courtney Cunningham, especialistas em cristais e cofundadoras da Moon & Stone, recomendam reservar dez minutos para visualizar toda a viagem se desenrolando perfeitamente – desde o momento em que você tranca a porta de casa até o seu retorno. Concentre-se em visualizar cenas, cheiros e sentimentos positivos. Esse ensaio mental não só prepara você para a viagem, como também alinha suas expectativas a resultados positivos, criando o cenário para a experiência desejada. [...]
Karam defende a prática diária de afirmações e gratidão. Comece cada dia da sua viagem afirmando que apenas boas vibrações estão a caminho e visualize seu dia cheio de alegria e interações pacíficas. Agradeça antecipadamente pelas experiências maravilhosas que você espera ter e, ao final da viagem, agradeça ao local que te acolheu. Essa prática não só melhora positivamente a sua experiência de viagem, como também atrai mais sorte, abrindo caminho para futuras aventuras cheias de alegria.
Disponível em: https://forbes.com.br/forbeslife/2024/09/5-dicas-para-superar-a-ansiedade-de-viajar-segundo-especialistas/. Acesso em: 14 set. 2024.

Ao observar a organização textual do fragmento, percebe-se que a estrutura empregada visa predominantemente

  • A evocar sensações e percepções associadas à prática de visualização, por meio de uma sequência descritiva que destaca elementos sensoriais da experiência sugerida, criando uma atmosfera envolvente.
  • B construir uma narrativa que explora as vivências emocionais e psicológicas ao longo da viagem, estabelecendo uma relação progressiva entre as etapas de preparação e a experiência emocional do viajante.
  • C oferecer instruções de caráter prático, utilizando uma sequência injuntiva que incentiva o leitor a executar ações de preparação mental, influenciando o estado emocional e psicológico durante a viagem.
  • D fornecer uma exposição informativa sobre as práticas de visualização e gratidão, explicando seus benefícios e efeitos potenciais, mantendo uma abordagem objetiva em relação ao impacto dessas técnicas.

[...] Esse (mau) hábito alimentar também está relacionado a depressão, ansiedade e declínio cognitivo, como apontou um relatório (4) produzido pela ONG americana Sapien Labs.
Ao avaliar a rotina alimentar e o estado de saúde de quase 300 mil pessoas em 70 países, ela concluiu que 53% das pessoas que se alimentam de ultraprocessados várias vezes ao dia relatam sofrer de problemas relacionados à saúde mental – contra 18% dos entrevistados que raramente procuram por este tipo de comida. [...]
Essa análise apontou que a maior ingestão de ultraprocessados está associada a um aumento de 50% no risco de morte por doenças cardiovasculares, de 48% a 53% mais risco de desenvolver transtornos mentais, e 12% mais probabilidade de sofrer diabetes tipo 2.
Tem mais. Os ultraprocessados causam 57 mil mortes prematuras por ano no Brasil, como estima um estudo (6) elaborado por pesquisadores da USP, da Fiocruz, da Unifesp e da Universidade de Santiago (Chile).
É isso mesmo. Eles matam mais gente, a cada ano, do que os acidentes de trânsito (que vitimam em torno de 30 mil pessoas), ou os homicídios (39.500 mortes no ano passado). [...]
Disponível em: https://super.abril.com.br/saude/a-ameaca-dos-ultraprocessados/. Acesso em: 30 ago. 2024.

No trecho destacado, a argumentação mobilizada no texto é reforçada ao

  • A criar um contraste numérico entre causas distintas de mortalidade, ampliando a percepção dos riscos dos ultraprocessados em relação a fatores fatais como acidentes e homicídios.
  • B empregar uma comparação direta entre as mortes causadas por ultraprocessados e outros fatores conhecidos, com o objetivo de induzir uma reflexão crítica sobre o impacto dessas substâncias na saúde pública.
  • C utilizar uma metonímia ao associar o termo "ultraprocessados" diretamente às mortes, referindo-se, figurativamente, aos efeitos devastadores desse tipo de alimentação.
  • D reiterar dados numéricos para reforçar a gravidade das mortes relacionadas aos ultraprocessados, sublinhando a comparação com outros eventos fatais recorrentes no Brasil.