Prova da Prefeitura de Jaguaruna-2 - Analista de Controle - Unesc (2025) - Questões Comentadas

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No trecho "O segundo dia em que a terra parou veio doze anos depois. Não foi um dia só, mas uma sequência de dias em que quase todos decidiram — ou foram obrigados — a permanecer em casa.", é possível aplicar diferentes operações sintáticas (deslocamento, substituição, modificação e correção), sem comprometer a correção gramatical e o sentido original. Assinale a alternativa em que a operação aplicada está correta, de acordo com os princípios normativos da gramática do português.

  • A A substituição de "a permanecer" por "permanecerem" em "obrigados a permanecer em casa" é preferível do ponto de vista gramatical, pois corrige uma impropriedade sintática relativa à regência nominal com preposição inadequada.
  • B A correção da oração "em que a terra parou" para "onde a terra parou" está de acordo com a norma-padrão, uma vez que o uso de "onde" é amplamente aceito para orações relativas que envolvam eventos temporais.
  • C O deslocamento da oração adverbial de tempo para o início do enunciado — "Doze anos depois, veio o segundo dia em que a terra parou." — preserva a correção gramatical e contribui para a progressão temática sem prejuízo da coesão ou da clareza.
  • D A inversão de "não foi um dia só, mas uma sequência de dias" para "foi uma sequência de dias, e não um dia só" fere a progressão informacional, pois viola a ordem lógica exigida pela estrutura sintática do conectivo "mas".
  • E A modificação da expressão "quase todos decidiram — ou foram obrigados — a permanecer" para "decidiram quase todos ou foram obrigados a permanecer" intensifica o paralelismo sintático e é recomendada por reforçar a estrutura simétrica da frase.

Em relação às orações "O empregado não saiu porque o patrão também não estava lá" e "O aluno não foi à escola porque o professor não o esperava", analise o uso da conjunção "porque" nas duas construções. Assinale a alternativa correta.

  • A Apenas o primeiro uso de "porque" está correto; no segundo, a oração apresenta ambiguidade entre valor causal e consecutivo, sendo recomendável a substituição por "de forma que" ou a reescrita para evitar dupla interpretação.
  • B A segunda ocorrência da conjunção "porque" introduz uma oração subordinada adjetiva reduzida, que retoma "escola" e tem valor restritivo; já a primeira exige reescrita com "por que" devido à natureza interrogativa implícita da construção.
  • C O uso da conjunção "porque" está correto nas duas orações, funcionando como elemento subordinativo de valor causal, sem ambiguidade ou desvio de regência, já que introduz orações subordinadas adverbiais causais que exprimem causas reais para os fatos narrados.
  • D Nenhuma das ocorrências da conjunção "porque" está correta, pois o emprego do conectivo requer oração principal afirmativa e, nos dois casos, trata-se de negação, o que conflita com a regência lógica da estrutura oracional.
  • E Apenas o segundo uso da conjunção "porque" é adequado, pois explicita a razão concreta da ausência do aluno; já no primeiro, o valor causal é duvidoso, podendo ser interpretado como finalidade ou concessão, o que compromete a clareza.

Na oração "o aluno não foi à escola porque o professor não o esperava", observa-se a presença do acento grave indicativo de crase na forma "à escola". Sobre o emprego dessa marca diacrítica e seus fundamentos sintáticos e semânticos, assinale a alternativa correta.

  • A O uso do acento grave em "à escola" configura erro gramatical, uma vez que a locução prepositiva "a escola" já possui a preposição embutida na estrutura do verbo "foi", sendo, portanto, incorreta a duplicação com o artigo.
  • B O uso do acento indicativo de crase justifica-se pela fusão da preposição exigida pelo verbo "ir" com o artigo definido feminino que determina o substantivo "escola", estando ambos os elementos pressupostos no enunciado.
  • C O verbo "foi" não exige preposição na regência com nomes de lugar, motivo pelo qual a presença do acento grave só seria possível se o termo seguinte estivesse acompanhado de pronome demonstrativo, o que não ocorre nesse caso.
  • D O emprego da crase seria opcional, já que "escola" é um substantivo feminino que, embora determinado por artigo, não exige necessariamente preposição em construções de deslocamento espacial.
  • E A forma "à escola" pode ser substituída por "para escola" sem necessidade de ajuste formal, visto que ambas as estruturas compartilham a mesma equivalência sintática e regencial, sendo intercambiáveis na norma culta.

A partir da leitura e análise do texto "Encontro de memórias", identifique a tipologia predominante da construção textual e assinale a alternativa que apresenta, com base nos estudos linguísticos e na teoria dos gêneros e tipos textuais, a descrição adequada a essa tipologia.

  • A Trata-se de um texto predominantemente narrativo de natureza memorialística, com marcas típicas do tipo didático-reflexivo, estruturado a partir de uma experiência pessoal que, embora subjetiva, permite projeções coletivas sobre a memória afetiva e a suspensão da rotina, sem objetivo normativo ou persuasivo.
  • B O texto configura um exemplo de discurso publicitário indireto, cuja estrutura busca persuadir o leitor a associar a imagem do cantor Raul Seixas a um ideal de resistência emocional, vinculando-se a estratégias de fidelização simbólica de consumo.
  • C A construção textual se aproxima do tipo divinatório, pois trabalha a evocação do passado como forma de antever consequências espirituais de eventos traumáticos, associando memórias pessoais a um destino coletivo.
  • D Apresenta-se como um texto normativo-dissertativo, centrado em explicitar regras de conduta social e sugerir comportamentos em situações de confinamento, com uso de estrutura injuntiva e modalizações diretivas.
  • E O texto corresponde ao tipo informativo-descritivo, voltado à comunicação de fatos objetivos sobre um evento histórico contemporâneo, com ênfase em dados concretos e na imparcialidade dos registros temporais.

A partir da análise do texto "Encontro de memórias" e considerando os princípios da coerência textual e da progressão temática, avalie as alternativas a seguir quanto à adequação interpretativa ao processo de construção do sentido. Assinale a alternativa correta.

  • A O uso do tempo pretérito imperfeito em passagens específicas do texto fragiliza a coesão temporal, pois interrompe a sequência narrativa e introduz rupturas que comprometem a progressão temática.
  • B As marcas de tempo no texto apontam para uma progressão cronológica rígida, sustentada por um narrador onisciente que organiza os eventos de forma neutra, suprimindo interferências emocionais.
  • C O tempo narrativo não se constrói de maneira linear, mas obedece a uma lógica afetiva e subjetiva, em que a memória individual é organizada como núcleo semântico do texto, permitindo ressignificar o passado à luz da experiência atual.
  • D O texto adota estrutura predominantemente descritiva, de natureza objetiva e analítica, voltada à reconstrução de fatos externos em detrimento de uma perspectiva enunciativa subjetiva.
  • E A recorrência da expressão "Raul também estava presente" evidencia um padrão de coesão lexical, mas sua função textual é decorativa, não contribuindo para a estrutura argumentativa da narrativa.