Prova da Prefeitura de Montes Claros - Médico - COTEC (2024) - Questões Comentadas

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L.G.T. 52 anos, casada, branca, nuligesta (infertilidade conjugal), menarca aos 13 anos, mãe falecida de câncer de mama, com diagnóstico feito aos 67 anos. Paciente refere ter sido submetida à biopsia de mama há três anos, vem para a consulta ginecológica de rotina referindo não fazer exames com ginecologistas há cinco anos, época em que foi submetida a uma série de exames de sangue e imagem. A mamografia mostrou uma alteração em local de cirurgia previa e que o resultado da biopsia foi benigno. Negava qualquer queixa ginecológica ou mamária e apresenta ciclo menstrual regular. No retorno, a paciente volta novamente com mamografia cat. 3 (calcificações distróficas no QSL) e resultado de histopatológico feito há três anos demostrando hiperplasia ductal com (lesão epitelial proliferativa com atipia). Qual linha de raciocínio é adequada?

  • A A paciente não se enquadra na população de alto risco, os parâmetros de maior risco com relação a história familiar são aqueles em que existe histórico de câncer de mama em parentes de 1º grau antes da menopausa, ou câncer de mama bilateral ou câncer de ovário em parente de primeiro grau em qualquer idade e a câncer de mama em parente do sexo masculino.
  • B A paciente em questão, devido ao padrão apresentado, enquadra no grupo de alto risco, sendo indicado como opção terapêutica a salpingooforectomia e mastectomia profilática bilateral.
  • C Essa paciente poderia ter indicação de rastreamento genético para mutações de BRCA1 e BRCA2 se houver mais parentes de 1º grau com neoplasia de mama. Lembrando a paciente de que o grande prejuízo da investigação genética se baseia na observação de que, na maioria das mulheres com história familiar, não se detecta qualquer anormalidade genética e, dessa forma, não é possível descartar o risco.
  • D Essa paciente apresenta baixíssimo risco relativo, com pequena chance de desenvolver câncer de mama, devendo, como primeira ação, manter o rastreamento mamográfico bienal (MS\INCA) como prevenção primaria.
  • E Essa paciente deveria usar, como segunda medida para redução de risco, a utilização de Tamoxifeno em baixas doses mensal, o que é capaz de reduzir o câncer de mama em 86% para mulheres com hiperplasia ductal atípica.

Uma gestante de 34 anos, com 29 semanas de idade gestacional, é encaminhada para avaliação no PSF devido à presença de um nódulo palpável de 2 cm no quadrante superior lateral (QSL) da mama esquerda. O nódulo é endurecido e apresenta limites imprecisos, levantando suspeita de malignidade. Considerando a fisiologia e a anatomia mamária, qual conduta é mais apropriada para o manejo desse nódulo durante a gestação?

  • A A conduta mais indicada é a punção aspirativa por agulha fina (PAAF) que, no período gravídico puerperal, é suficiente; nódulos durante a gestação raramente são malignos, pois o risco nessa fase é menor que o ocorrido na população geral, e a ultrassonografia é o segundo exame de escolha para avaliação.
  • B A mamografia deverá ser realizada para avaliar a multicentricidade e a multilateralidade, e a core-biopsy é indicada para o diagnóstico histopatológico, independentemente da idade gestacional.
  • C A core-biopsy e a mamografia devem ser realizadas imediatamente para obter um diagnóstico histopatológico, e a ultrassonografia pode ser solicitada, posteriormente, para acompanhamento do nódulo.
  • D A biópsia excisional é a melhor abordagem, considerando que a paciente está no terceiro trimestre de gestação, permitindo o diagnóstico histopatológico e a remoção do nódulo em um único procedimento.
  • E Primeiramente, deve-se realizar uma ultrassonografia para caracterizar o nódulo. Caso necessário, uma core-biopsy pode ser indicada para diagnóstico histopatológico. A mamografia pode ser evitada ou realizada com precauções, conforme a situação clínica e gestacional.

Uma paciente de 55 anos apresenta um fluxo espontâneo, hemático, uniductal e unilateral na mama esquerda, com um ponto do gatilho às 3 horas no exame clínico. A mamografia e a ultrassonografia realizadas não revelaram anomalias significativas. Dado o quadro clínico, qual das seguintes opções reflete, de maneira mais adequada, a abordagem diagnóstica e terapêutica que deve ser considerada?

  • A A idade da paciente pode influenciar o risco de malignidade, mas não deve ser o único fator determinante na abordagem diagnóstica; a análise do fluxo hemático é fundamental.
  • B A decisão de realizar cirurgia não é diretamente indicada apenas com base nas características do fluxo sem um diagnóstico definitivo; outros métodos diagnósticos são essenciais para uma decisão apropriada.
  • C A ductografia, mesmo com mamografia e ultrassonografia normais, pode ser uma ferramenta valiosa na identificação de lesões ductais, especialmente quando o fluxo hemático persiste.
  • D A ressonância magnética das mamas, embora útil em alguns casos, pode não ser a ferramenta inicial ideal se mamografia e ultrassonografia não detectaram alterações significativas.
  • E A citologia do fluxo hemático, apesar de ter sensibilidade limitada para detectar malignidade, é um passo inicial importante, e a escolha de métodos complementares não é crucial para confirmar o diagnóstico.

No diagnóstico e manejo dos carcinomas de mama, é essencial ter uma compreensão detalhada das características histológicas de cada tipo de carcinoma, suas implicações clínicas e o prognóstico associado. Cada tipo de carcinoma apresenta particularidades que afetam o tratamento e a abordagem clínica. Com base nas descrições a seguir sobre diferentes tipos de carcinomas mamários, escolha a alternativa CORRETA.
1. Carcinoma Lobular In Situ (CLIS): caracteriza-se pela proliferação de células lobulares dentro dos lóbulos da mama sem invasão do estroma circundante. É relevante observar a tendência de bilateralidade e as implicações para o manejo futuro.
2. Carcinoma Medular: esse tipo possui características histológicas específicas e pode estar associado a mutações genéticas. A associação com condições genéticas é importante para o aconselhamento e triagem.
3. Carcinoma Tubular: apresenta um padrão histológico distinto e é um tipo raro de câncer de mama, conhecido por características prognósticas específicas.
4. Carcinoma Inflamatório: esse carcinoma é conhecido por seu comportamento agressivo e rápida progressão, geralmente associado a um prognóstico desfavorável.
5. Carcinoma Lobular Invasor: caracterizado por um padrão de crescimento específico e localização, com implicações para o prognóstico.

Dado o exposto, assinale a alternativa CORRETA.

  • A O carcinoma lobular in situ (CLIS) é conhecido por sua alta bilateralidade, ocorrendo em praticamente todos os casos diagnosticados.
  • B O carcinoma tubular, apesar de ser geralmente favorável em termos de prognóstico, é caracterizado pela proliferação de túbulos glandulares em sua arquitetura histológica.
  • C O carcinoma medular não está associado a mutações genéticas nos genes BRCA1 e BRCA2.
  • D O carcinoma inflamatório é o tipo de carcinoma mamário com o melhor prognóstico, dado seu reduzido grau de agressividade e lenta velocidade de crescimento.
  • E O carcinoma lobular invasor tem um prognóstico melhor quanto mais próximo estiver da axila, apresentando um crescimento lento e abundante mucina extracelular.

Na prática clínica, a Bioética e a Medicina Baseada em Evidências são duas abordagens que frequentemente precisam ser conciliadas. Considere o seguinte cenário: uma paciente de 84 anos, nulípara, viúva, comparece à primeira consulta com um mastologista trazendo diversos exames, incluindo uma mamografia realizada no ano anterior. A mamografia anterior apresenta uma imagem sugestiva de um nódulo maligno, porém essa imagem não foi investigada à época. Como o mastologista deve proceder para alinhar os princípios bioéticos com a Medicina Baseada em Evidências nesse contexto?

  • A Adota uma conduta investigativa a partir de novos exames, comparando os resultados com os exames anteriores; proporciona um tratamento adequado com base nos achados mais recentes e esclarece à paciente seu ponto de vista e os possíveis danos, respeitando os princípios de justiça, beneficência e não maleficência.
  • B Esclarece imediatamente à paciente que um erro médico pode ter ocorrido na investigação anterior, baseando-se no pilar da justiça. Apresenta também corroboração científica para essa afirmativa, embora isso possa ser prematuro sem uma análise detalhada dos fatos.
  • C Entra em contato com o profissional que realizou a avaliação anterior para solicitar esclarecimentos sobre a conduta adotada, fundamentando-se na autonomia e lealdade ao colega. No entanto, esse contato pode ser visto como um desvio do foco imediato do tratamento da paciente.
  • D Expõe seu ponto de vista sobre o caso, discutindo a conduta anterior à luz dos quatro pilares da Bioética e deixa à paciente a decisão final sobre a continuidade do tratamento, o que pode não considerar adequadamente a necessidade urgente de investigação e tratamento.
  • E Nenhuma das alternativas acima é adequada para conciliar os princípios da Bioética com a Medicina Baseada em Evidências nesse contexto específico.