Questões de Mercantilismo, Colonialismo e a ocupação portuguesa no Brasil (História)

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Leia o excerto e, em seguida, responda ao que se pede:
“Alimento vegetal básico dos índios e que foi adotado pelos colonos, consumido por homens e animais domésticos. Exigia cuidados especiais em seu preparo pois só podia ser consumido depois de descascada, ralada e espremida, operações que retiravam o perigoso veneno de seu sumo.” (FONTE: o Brasil nos primeiros séculos. Laima Mesgravis. São Paulo. Contexto. 1998. p 13).
O alimento em que a autora se refere é:

  • A Fumo.
  • B Pimenta.
  • C Amendoim.
  • D Mandioca.
  • E Cana-de-açúcar.

Documentos do século XVI algumas vezes se referem aos habitantes indígenas como “os brasis”, ou “gente Brasília” e, ocasionalmente no século XVII, o termo “brasileiro” era a eles aplicado [...] os termos “negros da terra” e “índios” eram utilizados com mais frequência do que qualquer outro para designar os indígenas enquanto verdadeiros habitantes da terra.
[Stuart B. Schwartz, “Gente da terra braziliense da nasção”. Pensando o Brasil: a construção de um povo. Em Carlos Guilherme Mota (org). A experiência brasileira. Formação: histórias, 2000]

O uso dos termos “negros da terra” e “índios” para a designação dos indígenas, segundo Stuart Schwartz, tem relação com

  • A a capacidade produtiva de determinado grupo indígena.
  • B o status econômico e jurídico dos nativos da América portuguesa.
  • C o nível de conhecimento que os índios tinham da língua portuguesa.
  • D a medida de conhecimento que os indígenas tinham da legislação lusa.
  • E o grau de adaptação das aldeias indígenas com o trabalho produtivo.

Pode-se afirmar que as características geográficas de várias regiões, com especial incidência no sudeste, dificultaram significativamente a penetração portuguesa no sertão, condicionando a forma de ocupação do território brasílico nos séculos XVI e XVII. [...]
Além dos condicionamentos de ordem geográfica, fatores de natureza socioeconômica e geopolítica encontram-se na origem da “colonização pontual”, ou seja, a ocupação apenas dos pontos estratégicos da orla costeira.
[Jorge Couto, A gênese do Brasil. Em: Carlos Guilherme Mota (org). A experiência brasileira. Formação: histórias, 2000]

Em relação aos “fatores de natureza socioeconômica e geopolítica”, é correto considerar

  • A a frágil tradição portuguesa, com negócios mercantis e as restrições presentes no Tratado de Madrid para interiorizar a colonização.
  • B a ausência de uma nobreza representativa em Portugal e os frequentes ataques militares dos ingleses nas costas da América portuguesa.
  • C o desinteresse da elite portuguesa pela agroindústria e a aliança entre tupiniquins e franceses, que impedia o avanço para o interior.
  • D a ausência de capitais em Portugal e as restrições da Coroa portuguesa para a exploração do interior dos seus domínios americanos.
  • E a pequena população em Portugal e a necessidade da produção açucareira se concentrar nas proximidades da faixa marítima.

[...] a produção historiográfica sobre o período colonial não conheceu, durante a década de 60, obras particularmente significativas no tocante às abordagens de história da cultura.
[Laura de Mello e Souza, Aspectos da historiografia da cultura sobre o Brasil Colonial. Em: Marcos Cezar de Freitas (org.). Historiografia brasileira em perspectiva, 1998]

Para Laura de Mello e Souza, tal ocorrência pode ter relação com

  • A a aproximação teórico-metodológica da História com as outras Ciências Humanas, em especial a Antropologia, decorrendo assim uma inibição nas pesquisas que não fossem sobre as condições materiais reais.
  • B as diretrizes das agências de financiamento de pesquisas, como a Capes e o CNPq, interessadas em diagnosticar os limites do desenvolvimento econômico nacional e as desigualdades regionais.
  • C uma conjuntura histórica de resistência contra a ordem autoritária, contra a qual as Ciências Humanas estiveram mais atentas às formas de luta política ou do funcionamento da economia.
  • D a formação de universidades públicas voltadas para o ensino e a pesquisa em Ciência e Tecnologia, e com pequena dedicação aos clássicos conhecimentos das Ciências Humanas.
  • E um movimento cultural mais amplo que defendia um conhecimento histórico essencialmente pautado em documentos oficiais, condição que inviabilizou pesquisas sobre os aspectos culturais.

Nas histórias da colonização, de modo geral, opõe-se o caso de Portugal, com suas feitorias, ao da Espanha, dotada de um verdadeiro império territorial. A oposição, sem dúvida, pode ter existido, mas falta a verdadeira explicação, pois no Brasil foi de fato um império territorial que os portugueses erigiram.
(Marc Ferro, História das colonizações – Das conquistas às independências – século XIII a XX)

A “verdadeira explicação”, para Marc Ferro, consiste em

  • A reconhecer que no Brasil os conquistadores enfrentaram tribos dispersas e, na África negra, os povos do Mali e do Congo, por exemplo, impediram a instalação dos portugueses.
  • B apreender as características do Estado português desde o século XIV, no qual a decisiva dependência do poder econômico da burguesia o obrigava a fazer investimentos voltados à produção de manufaturas.
  • C perceber a prioridade da Coroa portuguesa oferecida aos seus domínios ultramarinos, que se materializava em transferir a maior parte da população rural do país para tais domínios.
  • D dimensionar que a construção de um imenso império colonial foi motivada por uma leitura religiosa da realidade e, assim, o que mais interessada aos portugueses era converter os nativos ao cristianismo.
  • E compreender a essência da exploração colonial portuguesa, caracterizada pelos investimentos em atividades agroindustriais e com forte aversão às trocas mercantis e à busca de metais preciosos.