Questões de Geriatria (Medicina)

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Um paciente de 68 anos, hipertenso e diabético, procura atendimento com queixa de fadiga, tontura ocasional e perda de apetite há 2 semanas. Ele relata que vem se alimentando de forma irregular e que tem dificuldades para relatar seus sintomas, muitas vezes esquecendo detalhes importantes. Ao exame físico, apresenta postura levemente curvada, fala lenta e hesitante, e fácies pouco expressiva. Durante a anamnese, o paciente tenta direcionar a entrevista para assuntos que lhe interessam, omitindo informações sobre eventos recentes. O estudante de medicina deve planejar o exame físico e analisar criticamente o relato do paciente para propor hipóteses diagnósticas consistentes. Com base nesse caso, assinale a alternativa correta sobre a condução da anamnese, exame físico e interpretação de sinais e sintomas.

  • A O médico deve integrar informações subjetivas (histórico do paciente, hábitos de vida, contexto social) e objetivas (sinais detectados no exame físico), utilizando raciocínio crítico para identificar inconsistências, esclarecer dúvidas e propor hipóteses diagnósticas fundamentadas.
  • B Em pacientes idosos com alterações cognitivas ou esquecimentos, os dados fornecidos por exames complementares substituem a necessidade de anamnese detalhada, pois fornecem todas as informações necessárias para diagnóstico.
  • C Diante da dificuldade do paciente em relatar sintomas, o estudante pode se limitar a anotar apenas os pontos espontaneamente informados, evitando questionamentos que possam constranger o paciente.
  • D O exame físico deve ser realizado em uma sequência rígida e padronizada, sem adaptações, garantindo a coleta de dados completa.

A abordagem à saúde da pessoa idosa transcende o mero tratamento de doenças e comorbidades, exigindo uma avaliação multidimensional que considere a heterogeneidade do envelhecimento. Nesse contexto, um conceito central é o de uma síndrome clínica caracterizada pela diminuição da reserva homeostática e da resistência a estressores, que resulta em maior vulnerabilidade a desfechos adversos. Com base na definição e nas implicações dessa síndrome na população idosa, assinale a alternativa correta.

  • A O fenótipo de fragilidade, uma vez estabelecido, representa uma condição irreversível e progressiva do envelhecimento, sendo o manejo focado exclusivamente em medidas paliativas e de suporte, sem a possibilidade de intervenção para reverter o quadro.
  • B O fenótipo de fragilidade é diagnosticado fundamentalmente pela dependência do idoso na realização de Atividades Básicas de Vida Diária (ABVD), como banhar-se e vestir-se, refletindo uma incapacidade funcional já instalada.
  • C O fenótipo de fragilidade é definido pela presença de critérios como perda de peso não intencional, exaustão autorreferida, baixa velocidade de marcha, baixo nível de atividade física e redução da força de preensão, sendo um preditor de desfechos negativos independentemente da presença de comorbidades.
  • D O fenótipo de fragilidade é sinônimo de multimorbidade, sendo sua intensidade diretamente proporcional ao número de doenças crônicas diagnosticadas, como hipertensão, diabetes e osteoartrite.

Homem de 75 anos é atendido em consulta de retorno trazido por sua esposa. Ela relata que ele “não tem sido o mesmo” nos últimos 6 meses. Refere que o marido vem apresentando mais problemas de memória e passou a ter incontinência urinária, muitas vezes se “molhando” durante o dia, além de durante a noite. Ela também observa que ele tem tido mais dificuldade para andar, o que parece ser um problema especialmente quando ele começa a andar, pois ele parece ter dificuldade para iniciar a marcha. A principal hipótese diagnóstica é

  • A demência frontotemporal.
  • B doença de Alzheimer.
  • C hidrocefalia de pressão normal.
  • D hematoma subdural crônico.
  • E deficiência de vitamina B12.

Mulher de 71 anos comparece ao ambulatório para avaliação de rotina. É hipertensa e faz uso de losartana e hidroclorotiazida. Tratou um câncer de mama com sucesso há 10 anos. Nega tabagismo e etilismo e está na pós-menopausa há mais de 15 anos. No exame físico, observa-se acentuação da cifose torácica. Seu exame de densitometria revelou T-score de -2,7 na coluna lombar e -3,1 no colo do fêmur.
Dentre as opções abaixo, a conduta mais apropriada é:

  • A Começar cálcio e vitamina D (1000mg e 800UI por dia) e repetir a densitometria em 3 a 6 meses.
  • B Trocar a hidroclorotiazida por furosemida e avaliar níveis séricos de cálcio.
  • C Prescrever vitamina D (2000UI/dia) com raloxifeno.
  • D Iniciar terapia de reposição hormonal para a menopausa.
  • E Prescrever tratamento farmacológico com bifosfonato.

Um idoso de 80 anos é trazido pela família para avaliação médica. Ele tem demência de Alzheimer, já em fase moderada a grave, e está dependente de terceiros para alimentação, locomoção e higiene pessoal. Faz uso de donepezila. Apesar disso, não tem outras comorbidades. A família está preocupada pois o paciente perdeu peso ao longo do último ano, de 80 kg (altura 1,70m) para 70 kg. No exame físico, exceto as alterações típicas do envelhecimento, não há achados patológicos. Sobre esse cenário clínico, identifique o procedimento adequado:

  • A Recomenda-se iniciar a investigação de modo pouco invasivo, com hemograma, bioquímica, eletrólitos, proteína C reativa e VHS.
  • B É obrigatória uma tomografia de tórax, abdômen e pelve para rastreio de neoplasia maligna oculta.
  • C O emagrecimento é um fenômeno normal na idade e não é necessária nenhuma investigação clínica adicional.
  • D A endoscopia digestiva alta é o primeiro exame a ser realizado, se possível com avaliação concomitante da deglutição.
  • E Uma videolaringoscopia de deglutição é o exame de eleição, devido à alta prevalência de disfagia alta nessa população.