Resumo de Português - Parnasianismo no Brasil

Parnasianismo no Brasil foi um movimento literário de cunho poético e contemporâneo do Realismo-Naturalismo ocorrido em solo brasileiro, mas que teve origem na França, no século XIX.

O nome desse movimento deriva de um termo da mitologia grega “Parnaso”, que significa montanha consagrada ao Deus Apolo e às musas da poesia.

No Brasil, esse movimento surgiu sob influência francesa, mas ganhou características próprias incluindo a tríade parnasiana. Findou-se com o início da Semana de Arte Moderna.

Origem do Parnasianismo

No século XIX o Realismo e Naturalismo eram movimentos literários comuns na Europa. Ambas contrapunham-se ao Romantismo e objetivavam o resgate da descrição detalhada de assuntos subjetivos.

Diante desse cenário, surgiu na França, em 1850, um movimento de oposição ao Romantismo chamado Parnasianismo. Seu princípio era baseado na teoria da “Arte pela Arte”, que buscava ressaltar o refinamento através da autonomia artística. Esse movimento teve como precursor o poeta e crítico literário francês Théophile Gautier.

As obras poéticas publicadas pelos parnasianos franceses mantinham a perfeição estrutural das poesias da Antiguidade Clássica. A primeira publicação desse movimento foi o Parnasse Contemporain, em 1871.

Seguindo o movimento literário parnasiano, escritores brasileiros destacaram-se, assim como os franceses, criando  o próprio estilo de Parnasianismo no Brasil.

Características do Parnasianismo

Dentre as características gerais do movimento parnasiano estão palavras rimadas; detalhes raros; objetividade e impessoalidade combatendo o subjetivismo do romancismo; arte justificada pela beleza, em referência ao prosaico, e valorização exagerada da estrutura da poesia, com palavras medidas e corretas gramaticalmente.

O movimento parnasiano era pautado em uma estética perfeita com rimas consideradas ricas, evitando palavras da mesma classe gramatical. Havia, também, uma valorização dos sonetos com composição dividida em duas estrofes de quatro versos e duas estrofes de três versos. O uso de figuras de linguagem com preferência pelo hipérbato também fazia-se presente nesse estilo.

Uma das características mais importantes do parnasianismo é a metrificação com quantidade de sílabas iguais e estrofes com conjunto de rimas que compunham o apelo visual das poesias parnasianas.

Além de prezar pela estética, o parnasianismo preocupava-se em valorizar o conteúdo. Os temas abordados tratavam de assuntos da antiguidade clássica, como a descrição de deuses, heróis, lendas, objetos e personagens importantes.

Parnasianismo no Brasil

O início do parnasianismo no Brasil deu-se com o enfraquecimento do Romantismo. Considera-se que o movimento tenha começado, definitivamente, a partir da obra “Fanfarras”, de Teófilo Dias, em 1882. No entanto, em 1878, já havia indícios do novo estilo nas publicações “Canções Românticas“, de Alberto de Oliveira, e “Cantos Tropicais“, de Teófilo Dias.

Posteriormente vieram os escritores Raimundo Correia com a obra “Sinfonias”, em 1883, novamente Alberto de Oliveira com “Meridionais”, em 1884, Olavo Bilac na obra “Relicário”, em 1888, e Francisca Júlia da Silva em “Mármores”, no ano de 1895.

O movimento do parnasianismo no Brasil seguiu os moldes franceses sob influência europeia, mas não pode ser considerado uma reprodução, pois apresentava características próprias. Obedecendo ao lema “Arte pela Arte”, o parnasianismo no Brasil tinha a estética de rimas características do movimento, mas não preocupava-se tanto com a objetividade e descrições realistas.

Como atributos do parnasianismo no Brasil podem ser citados a preferência pelo verso alexandrino, que caracterizava-se pelas rimas ricas e formas fixas, como os sonetos, e as escritas que eram, em geral, sobre temas universais que tendiam ao pessimismo ou ao sensualismo.

Os poetas considerados parnasianos buscavam o sentido da vida por meio da perfeição estética e tinham em comum a crença de que o homem estava preso à matéria.

Tríade Parnasiana

Por tríade parnasiana entende-se que três nomes famosos no período destacaram-se dentre os demais. Alberto de Oliveira, Olavo Bilac e Raimundo Correia fizeram parte desse seleto time de escritores.

Além deles, também fizeram sucesso o romancista Machado de Assis, que dedicou-se a escrever poesias parnasianas; Vicente de Carvalho; Guimarães Passos; Goulart de Andrade; Carlos Magalhães de Azeredo; Artur Azevedo; Bernardino Lopes; dentre outros.

Alberto de Oliveira

O poeta, professor e farmacêutico brasileiro Antônio Mariano Alberto de Oliveira (1857 – 1937), cujo pseudônimo adotado era Alberto de Oliveira, foi tido como o líder do parnasianismo no Brasil.

Nascido em Saquarema, Alberto de Oliveira participou da “Batalha do Parnaso”, juntamente com os escritores Teófilo Dias, Artur Azevedo e Valentim Magalhães. Sob inspiração da Arte Moderna da França, a batalha resultou na revolução da poesia brasileira.

Suas obras mais famosas são os poemas reunidos no livro “Canções Românticas”; “Meridionais”; “Céu, Terra e Mar”; “Versos e Rimas” e “O Culto da Forma na Poesia Brasileira”.

Alberto de Oliveira foi consagrado, ainda, como secretário estadual de educação, membro honorário da Academia de Ciências de Lisboa e imortal fundador da Academia Brasileira de Letras (ABL).

Olavo Bilac

O escritor e jornalista carioca Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, conhecido como Olavo Bilac (1865 – 1918) foi considerado o principal representante do parnasianismo no Brasil.

Bilac ganhou reconhecimento por dedicar-se à literatura nacionalista e pela participação cívica, principalmente por ter sido o responsável pela criação da letra do Hino à Bandeira, adotada em todo o país.

Olavo Bilac é autor de poemas populares como “Via Láctea”, “Língua Portuguesa”, “Ora (direis) ouvir estrelas” e “Contos para velhos”.

Bilac foi eleito, em 1907, “príncipe dos poetas brasileiros” e membro fundador da Academia Brasileira de Letras (ABL), ocupando a cadeira cujo patrono é de Gonçalves Dias.

Raimundo Correia

Raimundo da Mota de Azevedo Correia (1859 – 1911) foi um juiz e poeta que integrou a tríade parnasiana, destacando-se na vertente brasileira.

Iniciou sua carreira como poeta através do livro intitulado “Primeiros Sonhos“, mas foi em 1883, por meio do “Sinfonias”, que conseguiu a alcunha de um dos destaques do movimento parnasiano.

Raimundo Correia adotou, em suas obras, temas que debatiam a perfeição formal dos objetos. As poesias diferenciaram-se das demais por terem sido marcadas por um pessimismo sombrio.

As obras que ganharam destaque nesse movimento literário foram “Primeiros Sonhos” (1879); “Sinfonias” (1883), “Versos e Versões” (1887), “Aleluias” (1891) e “Poesias” (1898).

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