Resumo de Educação Física - Futebol para Cegos

O futebol para cegos, denominado também de futebol de cinco, é uma modalidade de esporte praticado por jogadores com deficiência visual.

O jogo de futebol para cegos assemelha-se a outras modalidades de esportes. O objetivo é tocar a bola com os pés para o companheiro com a intenção de chegar ao gol. A equipe que for superior no placar é a campeã da partida.

As regas do futebol para cegos

Como todo esporte, para praticar o futebol de cinco é necessário seguir algumas regras. A primeira que pode ser citada é o tempo. A partida é dividida em 2 momentos: 25 minutos cada, com o intervalo de duração de dez minutos.

No futebol de cinco acontecem muitas jogadas de efeito e chutes ao gol. Como regra, sempre que o jogador se deslocar em direção a bola é necessário gritar “voy” (termo em espanhol que corresponde ao “vou” do português).

O goleiro é o jogador que tem visão total, enquanto os demais não possuem. Os atletas de linha usam venda nos olhos com o intuito de manter o equilíbrio no jogo. Pois, considera-se que alguns jogadores podem perceber luzes (vultos) e, com isso, apresentar vantagem na partida.

Quanto ao número de substituições no jogo, não há limites. Sendo permitido, portanto, ao técnico alterar as peças quantas vezes considerar conveniente.

Curiosidade

Quando pensamos em futebol imaginamos estádios com vários torcedores emitindo canções em favor do time. No futebol de cinco torcer pode, mas a partida é praticada em um ambiente silencioso. 

É permitido que a torcida manifeste o apoio somente em situações permitidas, ou seja, quando a bola estiver fora de jogo. Como, por exemplo: gol na partida, faltas, cobrança lateral, tempo técnico, mudança de jogadores, faltas ou outra paralisação necessária.   

O chamador

Na partida o “chamador” ou o guia é quem informa, por exemplo, a direção do gol, a quantidade de adversários marcadores, a chance de gol, dentre outros dados necessários para a equipe. No entanto, ele não pode passar as orientações de qualquer ponto da quadra.

Só é permitido o "chamador" passar informações para a equipe quando o jogador estiver no terço do ataque. A marcação do terço é feita com uma fita na banda lateral e ela divide a quadra em três partes: o terço de defesa, central e o de ataque.

Quando na partida acontecer um pênalti ou um tiro livre, o “chamador “tem a responsabilidade de bater nas traves com uma base de metal para que o atleta ouça e entenda onde pode chutar em direção ao gol.

Composição do jogo

O jogo de futebol para cegos é formado da seguinte maneira:

  • O time: cada equipe é formada por cinco atletas, sendo um deles o guarda-redes, ou seja, quatro jogadores na linha e um no gol;
  • O guia ou “chamador”: é o membro da equipe que fica atrás do goleiro adversário. É ele quem orienta a equipe para finalizar o ataque no adversário;
  • A bola: geralmente a bola utilizada tem circunferência entre 60 e 62 centímetros com material de couro ou outro adequado ao esporte. Ela possui um guizos que emitem sons para que os atletas a encontre;
  • A quadra: a quadra em dimensões oficiais podem variar entre 38 e 42 metros de comprimento por 18 a 22 metros de largura;
  • A pequena área: é de costume que essa tenha a dimensão de 5,82 metros por 2 metros.

Obs.: os jogos de futebol para cegos são realizadas em uma quadra de futsal adaptada com barreiras na lateral. Porém, desde os Jogos Paralímpicos realizado em Atenas, em 2004, as partidas são realizadas em campos de grama sintética. 

A história do futebol para cegos

O futebol para cegos teve início na Espanha. O primeiro campeonato nacional realizado pelos espanhóis ocorreu em 1986. Já os torneios Americanos e os Europeus só tiveram início em 1997 e, um ano depois, foi realizado o primeiro Campeonato Mundial.

A Federação Internacional dos Desportos para Cegos (IBSA) é a organização que regula eventos esportivos para pessoas com deficiência visual. Além do futebol, a IBSA é responsável também pelas modalidades de ciclismo, atletismo, esqui alpino, judô, natação, biatlo, tiro, tiro com arco, levantamento de peso, boliche, esqui nórdico, golbol, dente outros.

Futebol para cegos no Brasil

O futebol para cegos começou a ser difundido no Brasil nos anos 50 em instituições de ensino e institutos para cegos.

O Brasil é pentacampeão não apenas na Copa do Mundo de Futebol, mas também no futebol para cegos, pois é o país que mais possui títulos na modalidade. A seleção conquistou campeonatos mundiais em 1998, 2000, 2010, 2014 e 2018. Atrás no ranking está a Argentina que venceu em 2002 e 2006.

O último título mundial foi disputado em Madri, na Espanha. O Brasil venceu a Argentina pelo placar de 2×0 com gols dos jogadores Ricardinho e Nonato. Em finais de competições mundiais, a seleção brasileira já enfrentou os argentinos cinco vezes. O país canarinho levou a melhor em quatro decisões: em 1998, 2000 e 2014 e também 2018, perdeu apenas em 2006.

O Brasil participou dos Jogos Paralímpicos no futebol de cinco em Atenas no ano de 2004. Foi nessa competição que o país conquistou pela primeira vez o título de campeão. A seleção superou a Argentina nos pênaltis pelo placar de por 3 a 2. Além do disputa de 2004, os títulos que o Brasil possui nas Paralímpiadas de futebol para cegos são:

  • Pequim, na China em 2008;
  • Inglaterra, em Londres no ano de 2012;
  • No Rio de Janeiro em 2016.

Portanto, a seleção canarinho é tetracampeã, nas Paralimpíadas. Vale lembrar que quando o Brasil conquistou o tricampeonato em 2012, em Londres, recebeu o prêmio do Paralympic Sport Awards, do Comitê Paraolímpico Internacional.

No Brasil, quem regulamenta o esporte é a Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV). A entidade é responsável por cinco modalidades no país, sendo três paralímpicas: futebol de cinco, goalball (masculino e feminino) e judô; e duas não-paralímpicas: futebol B2 e B3, além do powerlifting (um tipo de levantamento de peso).

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