Resumo de Português - Função Poética

A Função Poética é uma função de linguagem que caracteriza-se pela preocupação com a forma em que a mensagem que está sendo transmitida.

Essa função da linguagem procura emitir uma mensagem de forma elaborada, por esse motivo é mais encontrada na literatura, principalmente na poesia.

Características da Função Poética

Para a Função Poética o próprio texto é o mais importante, nesse caso, o uso de alguns recursos para chamar atenção do destinatário é fundamental. A intenção é proporcionar ao leitor o prazer estético.

Enquanto a função referencial trabalha a objetividade e a denotação ao longo do texto, a Função Poética utiliza predominantemente a conotação, que está ligada a impressões subjetivas, ou seja, nesse caso, irá concentrar-se na mensagem.

Nesse tipo de função as palavras utilizadas poderão ter muitos sentidos e várias formas de interpretação. Esse tipo de esforço é constantemente encontrado na poesia, na literatura, nos quadros e nas artes como um todo.

Funções de Linguagem

Além da Função Poética existem mais outras cinco funções de linguagem, onde cada uma delas está relacionada a elementos da comunicação como: emissor, mensagem, receptor, código e contexto.

Essas funções podem ser:

  • Função Referencial (denotativa)
  • Função Apelativa (conativa)
  • Função Emotiva (expressiva)
  • Função Metalinguística
  • Função Fática

Função Poética x Função Emotiva

Embora exista uma certa similaridade entre essas duas funções, devido a subjetividade de ambas, existem também diferenças entre elas que podemos destacar conforme abaixo:

  • Função Poética: preocupa-se com a mensagem. Os textos poéticos são caraterizados pela valorização da palavra, do que está sendo dito ou exposto. Utiliza-se muitas vezes da metáfora para transmitir uma mensagem.
  • Função Emotiva: preocupa-se com o emissor. Os textos emotivos são caracterizados pela narração do autor e dos seus sentimentos, ou seja, ele expressa o que sente, com as suas emoções, com os seus sentimentos não preocupando-se com mensagem, como é na função poética.

Nos textos onde apresenta a Função Emotiva é comum encontrar a fala na 1ª pessoa do singular, além da presença de interjeições e pontuação como a exclamação ou reticências.

Exemplo:

“Eu sou o cheiro dos livros desesperados, sou Gitá gogoya
Seu olho me olha, mas não me pode alcançar
Não tenho escolha, careta, vou descartar
Quem não rezou a novena de Dona Canô
Quem não seguiu o mendigo Joãozinho Beija-Flor
Quem não amou a elegância sutil de Bobô
Quem não é recôncavo e nem pode ser reconvexo”

Esse é um pequeno trecho da música "Reconvexo" interpretado pela cantora Maria Bethânia. Nele podemos perceber que a letra volta-se para a 1ª pessoa do singular e para as suas características pessoais.

Podemos retratar a função emotiva também através do vídeo abaixo:

Exemplos de Função Poética

O Função Poética pode ser utilizado em diversas formas de comunicação. Entre eles:

  • Música 
  • Poema
  • Poesia
  • Literatura
  • Publicidade
  • Propaganda

Função Poética na Publicidade

“Chegou o milagre azul para lavar!
Lave na espuma de Omo e tenha a roupa mais limpa do mundo!
Onde Omo cai, a sujeira sai!”

Propaganda Omo, 1957)

Função Poética na Literatura

Acompanhe no vídeo a seguir um outro exemplo da Função Poética. A cantora Maria Bethânia narra trechos do livro "Grande Sertão: Veredas", do escritor brasileiro João Guimarães Rosa.

Função Poética na Poesia

A Função Poética é facilmente encontrada na subjetividade dos poemas, onde o autor encontra diversas formas para explicar o seu mais profundo sentimento.

Um desses exemplos é a poesia chamada “Os três mal-amados” do escritor de João Cabral de Melo Neto.

Nele, o personagem chamado Joaquim descreve com detalhes um dos maiores objetos de inspiração dos poetas que é, o amor.

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato.
O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço.
O amor comeu meus cartões de visita.
O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas.
O amor comeu metros e metros de gravatas.
O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus.
O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas.
Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X.
Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés.

Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam.

Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

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