Resumo de Biologia - Cólera

Infecção pode ser evitada com práticas de higiene e saneamento básico


A cólera é uma doença infectocontagiosa que atinge o intestino delgado, provocada por uma substância tóxica (enterotoxina) produzida pela bactéria . Essa toxina causa grande perda de água e eletrólitos, a exemplo de sódio, cloro e potássio, levando a um quadro grave de desidratação em poucas horas.
Geralmente surge em ambientes de assentamento e aglomerações humanas, onde o acesso à água potável e saneamento básico é precário ou inexistente. Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde, houve uma queda de 60% no número de casos em 2018, mas a doença ainda causou a morte de quase 3 mil pessoas.
No Brasil, a último surto de cólera foi em 1991, sendo responsável por mais de 165 mil casos e mais de 2 mil óbitos até 2004. A maioria dos registros foi nas regiões Norte e  Nordeste. Desde 2006, o país não notifica ocorrências de transmissão dentro do território.

Formas de contaminação e sintomas

O meio de transmissão da cólera é fecal-oral, ou seja, através do contato com a água e alimentos contaminados, pois a bactéria pode ser eliminada nas fezes, ou pela manipulação de alimentos por pessoas infectadas, mesmo que ainda estejam sem sintomas.
Além dessa via de contaminação, já foram observados episódios após o consumo de peixes e frutos do mar, como ostras e mexilhões, crus ou mal cozidos, e gelo feito com água não tratada, o que confirma os riscos da ingestão quando não está filtrada ou fervida.
Como a doença tem relação direta com a ausência de saneamento básico – a exemplo de redes de esgoto e coleta de lixo – e medidas simples de higiene, é comum em locais de extrema pobreza ou acometidas por guerras civis e desastres naturais, uma vez que o microrganismo espalha-se facilmente e possui resistente até ao congelamento.
A maioria das pessoas infectadas pela cólera demoram de 2 a 5 dias para manifestar os primeiros sintomas ou são assintomáticas. O quadro normalmente é leve, com a presença de diarreia e vômitos. Isso acontece porque a báctéria faz com que as células intestinais aumentem a produção de fluidos.
Contudo, em 5% a 10% dos casos, os sinais são mais graves. Entre os principais estão:
  • Diarreia intensa e volumosa;
  • Fezes líquidas e com coloração esbranquiçada;
  • Náuseas e vômitos constantes;
  • Redução na produção de urina;
  • Cansaço e fraqueza;
  • Excesso de sede, boca e pele secas, olhos fundos;
  • Aumento dos batimentos cardíacos e redução da pressão arterial.
  • Perda de peso.
Quando não há o tratamento médico rápido e adequado, em poucas horas a perda líquidos pode resultar em insuficiência renal, hipoglicemia e choque hipovolêmico – condição que leva a perda de grandes quantidades de sangue, o que faz o coração parar de bombeá-lo para todo o corpo, assim como o oxigênio. Estima-se que a taxa de mortalidade chega a 70% nas situações mais severas.


Como é feito o tratamento da cólera?

Antes do início do tratamento, os sintomas clínicos e os exames laboratoriais voltados para cultura de fezes servem para detectar a presença da bactéria no organismo. Como a cólera é relativamente grave e intensifica o processo de desidratação, a medida terapêutica mais importante é a reposição do volume de líquidos perdidos, que pode ser feita por via oral com soro caseiro ou soluções farmacológicas de reidratação – que contêm as quantidades de eletrólitos e glicose necessárias.
Medicamentos antidiarreicos ou à base de cortisona são contraindicados pelos médicos. Embora a utilização de alguns antibióticos sirva para controlar as dores, náuseas e ajudar na melhora da flora intestinal, devem ser introduzidos no tratamento apenas sob orientação, a fim de evitar resistência bacteriana. Crianças e idosos são os grupos mais vulneráveis às complicações.
Já existem vacinas disponíveis contra a cólera, mas a proteção começa a perder eficácia a partir dos 6 meses. Por isso, não são aplicadas de maneira rotineira na população e atuam somente como reforço às pessoas que precisam ficar por certo tempo em áreas consideradas de risco.

Dicas preventivas


Especialistas afirmam que a forma mais eficaz de proteção contra a cólera é a execução de políticas públicas que visam implementar e ampliar as redes de saneamento básico e água encanada. Já no âmbito individual, recomenda-se as seguintes condutas de higiene e consumo de alimentos:
  • Lavar constantemente as mãos com água e sabão, principalmente depois de idas ao banheiro, uso de transporte público ou contato com superfícies sujas;
  • Evitar o consumo de alimentos crus ou mal cozidos, especialmente frutos do mar.
  • Optar pela compra de água mineral. Mas caso não seja possível, usar hipoclorito de sódio para purificação em circunstâncias que não foi devidamente tratada;
  • Certificar que tanto o gelo quanto os sucos foram feitos com água mineral ou tratada;
  • Deixar verduras, legumes e frutas em recipientes com água, algumas gotas de hipoclorito de sódio ou uma colher de água sanitária um tempo antes de consumi-los;
  • Não comer alimentos que ficaram expostos à temperatura ambiente por mais de duas horas;
  • Manter sempre limpos todos os utensílios utilizados na cozinha.
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