Resumo de Biologia - Biogênese

A biogênese pode ser caracterizada como um conceito que apresenta a origem dos seres vivos. Antes da biogênese, havia a ideia de que a origem da vida partia da matéria bruta. O que essa teoria queria dizer? Seres sem vida seriam capazes de gerar seres viventes.

Era como se a sujeira da cozinha pudesse fabricar baratas ou o limo das pedras originasse peixes, rãs ou outros anfíbios. Essa proposta ficou conhecida como abiogênese.

Contrapondo essa hipótese, surge a biogênese. Nesse princípio, apenas seres vivos são capazes de originar outros seres vivos. De acordo com a biogênese, só quem possui organismo vivo, ou seja, animais, plantas, fungos, seres humanos, algas, bactérias e protozoários, criam vida.

Sendo assim, uma barata não pode ser considerada produto da sujeira, embora o inseto seja atraído por ela. Da mesma forma, peixes, anfíbios, répteis, mamíferos, aves e as demais classificações, só existem porque outro ser vivente a concebeu.

Hoje, a teoria da abiogênese parece surreal, mas quando ela surgiu, na Antiguidade, a ideia não parecia tão absurda. A ausência de aparatos tecnológicos que pudessem auxiliar os cientistas, também é um fator significativo para compreender porque eles defendiam a hipótese.

O método científico da época estava limitado a observação dos fenômenos. O estudo das células, dos microrganismos, da presença de material genético e gametas, ainda era uma realidade distante.

Para alguns pesquisadores, a abiogênese tinha a resposta para a origem da vida. Para outros, não. Foram esses, os inquietos e inconformados, que não desistiram de procurar outras explicações. E eles a encontraram na biogênese.

Contexto Histórico

Nas civilizações mais remotas, como a Grécia Antiga, era muito comum a crença de que os deuses a quem a população servia pudessem fazer qualquer coisa. Gaia, que na mitologia grega é a mãe terra, uma deusa de caráter gerador, podia, inclusive, fazer com que os seres vivos existissem de forma espontânea.

Ela não precisava de outro ser vivo para isso. Havia um método chamado de Generatio spontanea. Além de criar as montanhas, o céu e o mar, a deusa fazia a vida surgir da terra ou das pedras. 

Mas a mitologia grega começou a ser questionada pelos cientistas e filósofos. Aristóteles, um dos grandes filósofos gregos de sua época, além de escrever sobre a filosofia, música e poesia, também produzia nas áreas na física, metafísica e biologia. Ele não acreditava que os seres vivos pudessem surgir a partir de coisas sem vida, mas considerava que eles poderiam se reproduzir a partir de organismos diferentes.

A especulação em volta desse tema durou até o século XVII. A medida que a ciência avançava, os estudos se aperfeiçoavam, tornando possível invalidar a teoria da abiogênese.

Foi através dos estudos de Francesco Regi (biólogo italiano) e Louis Pasteur (cientista francês) que a biogênese despontava como uma hipótese aceitável.

Descobrindo a biogênese

As experiências realizadas por Francesco Redi e Louis Pasteur aconteceram em tempo e contexto diferentes.

A tentativa de Redi aconteceu em 1668. Redi colocou em carne em dois frascos. Um dos recipientes foi tapado com gaze, o outro ficou descoberto.

À medida que o tempo passava, larvas foram tomando conta do pote que estava sem proteção, mas o que estava coberto com gaze não tinha apresentado nenhuma diferença.

O tempo passou e além de larvas havia moscas nos potes abertos. O que Redi notou foi: as moscas tinham entrado em contato com outro ser vivente e gerado as larvas. A reprodução não se deu de forma espontânea.

Vários cientistas tentaram desacreditá-lo. Mesmo assim, essa experiência foi significativa para o fortalecimento da biogênese.

Os estudos continuaram, principalmente porque surgia uma nova categoria de seres – os microscópicos. Então, outro pesquisador, se propôs a explorar esse universo.

Em 1861 Louis Pasteur demonstrava, a partir dos seus resultados, que a abiogênese não era possível. Seu experimento consistiu em:

Derramar em um balão de vidro um caldo nutritivo. Esse frasco tinha um gargalo alongado. Em seguida, aquecer o gargalo até a fervura, criando no frasco um alongamento, similar ao pescoço de um cisne.  E depois levar o frasco ao descanso.

Alguns dias se passaram e nada de novo surgia no interior do balão de vidro. Pasteur então quebrou o pote. Ao fazer isso, percebeu que os microrganismos começaram a surgir.

Ou seja, o líquido, na presença de micróbios do ar, causava essa proliferação. Foi assim que a abiogênese perdeu a credibilidade e a biogênese se tornava a tese admissível.

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