Leia o Texto 2 para responder à questão.
Texto 2
Uma metáfora do poder e também da ideia de que certos corpos pertencem a determinados lugares é a da rainha que pertence naturalmente ao palácio real, ao contrário da plebe, que não pode jamais alcançar uma posição de majestade. Tal hierarquia introduz uma dinâmica na qual a negritude significa não somente "inferioridade", mas também “estar fora do lugar" enquanto a branquitude significa "estar no lugar" e, portanto, "superioridade". No racismo, corpos negros são construídos como corpos impróprios, como corpos que estão “fora do lugar” e, por essa razão, corpos que não podem pertencer. Corpos brancos, ao contrário, são construídos como próprios, são corpos que estão “no lugar'', “em casa”, corpos que sempre pertencem. Eles pertencem a todos os lugares: Europa, África; norte, sul, leste, oeste; o centro, bem como a periferia.
KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano.
Rio de Janeiro: Cobogó, 2019. p. 56. [Adaptado].
Qual ideia é defendida no contexto do fragmento textual?
- A Os corpos negros, subjugados pelo segregacionismo, são sempre rejeitados e excluídos onde quer que estejam.
- B O status da realeza, por ser intrínseco e autônomo, é legítimo e, portanto, de direito dos sujeitos a ela pertencentes.
- C Os corpos brancos também podem portar traumas advindos de violências simbólicas presentes na metáfora do poder.
- D O racismo simbólico atinge todos os corpos cuja subjetividade seja avaliada como não atinente a determinado local.