O texto seguinte servirá de base para responder à questão abaixo.
Não olhe, eles estão te julgando
As pessoas não gostam de ver outras pessoas sozinhas. O garçom pergunta se a mesa é para um, a atendente confirma se é só um ingresso, e até em um bar alguém questiona o que uma mulher bonita faz sozinha, como se estar só fosse um convite para abordagens. Em lugares públicos, os olhares continuam esbarrando, e o celular vira escudo para amenizar o incômodo causado pelo olhar alheio.
Andar sozinha em uma grande cidade pode ser assustador, e talvez por isso surja a necessidade de buscar companhia. Lembro-me da primeira vez que fui ao cinema sozinha: comprei meu ingresso, esperei a sessão e me sentei com meu balde de pipoca, sem ninguém ao lado. Durante o filme, ria e chorava, sempre conferindo a cadeira vazia e olhando para trás, como se precisasse garantir que ninguém reparasse na minha solidão momentânea.
Quando o filme terminou, percebi que tudo bem não ter companhia às vezes. Estar sozinha não significa ser solitária, e reconhecer isso faz com que a gente valorize mais a própria presença. O alerta sempre vai existir — o medo de abordagens ou de olhares julgadores, mas nada disso deve impedir que você escolha a si mesma.
Texto Adaptado
OLIVEIRA, Gabrielle Abreu de. Não olhe, eles estão te julgando. In: Livros Abertos USP. São Paulo: Universidade de São Paulo.
Disponível em:
https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/downlo ad/730/648/2404?inline=1 . Acesso em: 12 nov. 2025.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão abaixo.
Não olhe, eles estão te julgando
As pessoas não gostam de ver outras pessoas sozinhas. O garçom pergunta se a mesa é para um, a atendente confirma se é só um ingresso, e até em um bar alguém questiona o que uma mulher bonita faz sozinha, como se estar só fosse um convite para abordagens. Em lugares públicos, os olhares continuam esbarrando, e o celular vira escudo para amenizar o incômodo causado pelo olhar alheio.
Andar sozinha em uma grande cidade pode ser assustador, e talvez por isso surja a necessidade de buscar companhia. Lembro-me da primeira vez que fui ao cinema sozinha: comprei meu ingresso, esperei a sessão e me sentei com meu balde de pipoca, sem ninguém ao lado. Durante o filme, ria e chorava, sempre conferindo a cadeira vazia e olhando para trás, como se precisasse garantir que ninguém reparasse na minha solidão momentânea.
Quando o filme terminou, percebi que tudo bem não ter companhia às vezes. Estar sozinha não significa ser solitária, e reconhecer isso faz com que a gente valorize mais a própria presença. O alerta sempre vai existir — o medo de abordagens ou de olhares julgadores, mas nada disso deve impedir que você escolha a si mesma.
Texto Adaptado
OLIVEIRA, Gabrielle Abreu de. Não olhe, eles estão te julgando. In: Livros Abertos USP. São Paulo: Universidade de São Paulo.
Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/downlo ad/730/648/2404?inline=1 . Acesso em: 12 nov. 2025.
Com base na leitura do excerto a seguir, identifique a alternativa que apresenta uma análise correta e teoricamente fundamentada da figura de linguagem predominante, considerando seus efeitos de sentido e seu papel na construção do argumento no texto.
"Durante o filme, ria e chorava, sempre conferindo a cadeira vazia e olhando para trás, como se precisasse garantir que ninguém reparasse na minha solidão momentânea."
- A A construção "como se precisasse garantir" exemplifica uma prosopopeia sutil, pois atribui à "solidão" uma ação intencional, revelando a tentativa de humanização do sentimento para intensificar o pathos do texto.
- B A expressão evidencia uma ironia contextualizada, ao simular racionalidade no gesto instintivo da protagonista, cuja preocupação com o julgamento alheio se transforma em crítica velada à normatização social da convivência.
- C O trecho apresenta uma gradação descendente de ações, em que o uso sucessivo de verbos no passado imperfeito gera uma hipérbole implícita, marcando o exagero da reação emocional da personagem diante da ausência de companhia.
- D A frase exemplifica claramente o uso de comparação, figura de pensamento que explicita o paralelismo entre o ato físico de olhar para trás e a expectativa de que sua solidão estivesse sendo percebida, reforçando o conflito interno da personagem.