Questão 1 Comentada - Prefeitura de Arabutã-2 - Auxiliar de Contabilidade - AMAUC (2025)

A segunda vida da saudade


A saudade é uma repescagem. Pela saudade, você descobre que ama alguém mais do que imaginava: é uma necessidade de companhia despertada pela solidão mais funda.


A saudade é um GPS do coração. Você se vê desorientado, longe de um destino, e percebe o valor de uma presença que completa o seu humor, acolhe seus defeitos e ilumina seus dias.


É uma lembrança a dois. Diferente da nostalgia, que é pessoal e intransferível, a saudade se partilha, sofre junto. A nostalgia é encerrada; a saudade é um sentimento em progresso.


Pela saudade, você revisa seus atos e reconhece suas limitações. Não é julgamento do outro, mas de si mesmo com o outro. Uma justiça emocional que tenta consertar omissões e faltas de gentileza.


Ela começa no medo para vencer o medo. Ensina coragem para defender sua autenticidade, enfrentando preconceitos e opiniões alheias. Fortalece vínculos, aponta quem merece permanecer.


A saudade não deixa ninguém para trás. Emparelha almas, sincroniza pensamentos. Consegue ser perdão e gratidão ao mesmo tempo.


É a memória, no período de escassez, de tudo o que foi bom. Um trailer do fim que não queremos assistir. Uma despedida dentro do encontro. Um adeus ensaiado que vira vínculo duradouro e definitivo.


Texto Adaptado


CARPINEJAR, Fabrício. A segunda vida da saudade. O Tempo, 26 set. 2025. Disponível em:

https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/2025/9/26/a-seg unda-vida-da-saudade . Acesso em: 26 out. 2025.




Com base no texto e considerando os princípios semântico-discursivos que regem os processos de significação no texto, assinale a alternativa que apresenta a leitura precisa e teoricamente fundamentada da construção textual da ideia de "saudade".

  • A O texto concebe a saudade como um fenômeno cognitivo-afetivo vinculado unicamente à carência de presença física, estruturando-se, predominantemente, sob o eixo da oposição temporal entre o passado e o presente.
  • B Sob o viés linguístico da estilística funcional, a saudade é apresentada como um valor sensorial derivado da nostalgia, em que predomina o efeito estético da melancolia sobre os efeitos cognitivos da reflexão.
  • C A figura da saudade no texto articula-se como categoria discursiva metafórica, cujo núcleo conceitual se ancora na impossibilidade de restituição da experiência vivida, funcionando como marcador subjetivo de separação e fechamento de ciclos.
  • D O texto traduz a saudade como um evento linguístico de retomada do passado, mas o faz por meio de uma sequência de orações exclamativas e hiperbólicas, que anulam seu valor pragmático e a reduzem a um recurso retórico de dramatização.
  • E A saudade, no contexto proposto, é figurada como potência dialógica e inacabada, ultrapassando o campo da perda para instaurar um vínculo de reconstrução intersubjetiva e ressignificação da memória afetiva.