O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A segunda vida da saudade
A saudade é uma repescagem. Pela saudade, você descobre que ama alguém mais do que imaginava: é uma necessidade de companhia despertada pela solidão mais funda.
A saudade é um GPS do coração. Você se vê desorientado, longe de um destino, e percebe o valor de uma presença que completa o seu humor, acolhe seus defeitos e ilumina seus dias.
É uma lembrança a dois. Diferente da nostalgia, que é pessoal e intransferível, a saudade se partilha, sofre junto. A nostalgia é encerrada; a saudade é um sentimento em progresso.
Pela saudade, você revisa seus atos e reconhece suas limitações. Não é julgamento do outro, mas de si mesmo com o outro. Uma justiça emocional que tenta consertar omissões e faltas de gentileza.
Ela começa no medo para vencer o medo. Ensina coragem para defender sua autenticidade, enfrentando preconceitos e opiniões alheias. Fortalece vínculos, aponta quem merece permanecer.
A saudade não deixa ninguém para trás. Emparelha almas, sincroniza pensamentos. Consegue ser perdão e gratidão ao mesmo tempo.
A a memória, no período de escassez, de tudo o que foi bom. Um trailer do fim que não queremos assistir. Uma despedida dentro do encontro. Um adeus ensaiado que vira vínculo duradouro e definitivo.
Texto Adaptado
CARPINEJAR, Fabrício. A segunda vida da saudade. O Tempo, 26 set. 2025. Disponível em:
https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/2025/9/26/a-seg unda-vida-da-saudade . Acesso em: 26 out. 2025.
Analise os trecho a seguir:
"Uma justiça emocional que tenta consertar omissões e faltas de gentileza."
"Um trailer do fim que não queremos assistir."
A partir dos trechos, e considerando os fundamentos da gramática normativa e da sintaxe oracional da língua portuguesa, assinale a alternativa que apresenta a análise correta do "que" sublinhado em ambos os contextos.
- A Em ambos os contextos, o "que" funciona como sujeito do verbo seguinte e introduz uma oração subordinada substantiva subjetiva, motivo pelo qual não pode ser considerado um pronome relativo.
- B No primeiro trecho, o "que" é um conectivo subordinativo integrante, pois não há ideia de retomada, mas de introdução de complemento verbal. Já no segundo trecho, o "que" é pronome relativo objeto direto.
- C Em ambos os trechos, o termo "que" exerce função de sujeito da oração subordinada adjetiva que introduz, sendo classificado como pronome relativo e retoma o termo antecedente.
- D Em ambos os casos, o "que" é classificado como pronome relativo, mas, enquanto no primeiro exerce função de sujeito da oração adjetiva, no segundo funciona como objeto direto do verbo "assistir".
- E No primeiro caso, o "que" introduz uma oração subordinada adjetiva explicativa, enquanto no segundo, o "que" é pronome interrogativo que antecipa uma oração subordinada objetiva direta.