Texto 1
Leia com atenção a tradução feita por Paloma Vidal do poema de Tamara Kamenszain no livro O eco da minha mãe:
Não posso narrar.
Que pretérito me serviria
se minha mãe já não me tece?
Desencaminhada então eu me detenho
ante um estado de coisas presente demais:
ser a descuidada que cuida dela
enquanto outros a descuidam por mim.
São pessoas que me sobram
e a gramática se torna um escândalo
quando ela que esqueceu as palavras
adianta seu bebê furioso
a fim de dizer tudo
mesmo que nada se entenda.
KAMENSZAIN, Tamara. O gueto / O eco da minha mãe. Tradução de Paloma Vidal e Carlito Azevedo. Edição bilíngue. Rio de Janeiro: 7Letras, 2012. p. 77.
Neste poema do texto 1, os versos que dizem “São pessoas que me sobram / e a gramática se torna um escândalo / quando ela que esqueceu as palavras / adianta seu bebê furioso / a fim de dizer tudo / mesmo que nada se entenda” têm como objetivo expressar que:
- A existe muita rigidez nas normas gramaticais exigidas pela escola.
- B a fala materna tende a ser amorosa, sendo assim, é sempre difícil de ser expressa pela linguagem.
- C o ser humano perde a vontade de se expressar quando perde o domínio das palavras.
- D há experiências e pensamentos que não cabem inteiramente nas palavras, tornando a linguagem incapaz de traduzir com exatidão tudo o que o eu sente.
- E só é possível atingir um nível de compreensão da fala do outro a partir do uso de uma gramática normativa.