Questão 2 Comentada - Prefeitura Municipal de Angical do Piauí - Assistente Administrativo - Planejar (2016)

                              Texto 1 - Que país é este?

Imagine um país onde as pessoas só se preocupam com as aparências e escolhem suas profissões não por vocação ou pelo desejo de ser úteis à coletividade, mas apenas pelas vantagens pessoais e “pelo brilho do uniforme”.

Imagine que lá os bacharéis em Direito, Medicina e Engenharia têm direito à prisão especial, mesmo que cometam os crimes mais repugnantes. E ninguém reclama, porque o povo tem um respeito quase religioso pelos nobres bacharéis.

Trata-se de um país essencialmente agrícola; mas, paradoxalmente, não há de fato agricultura, porque tudo ali está baseado em latifúndio, monocultura e trabalho quase escravo.

Lá, a pobreza no campo é geral. A população vive oprimida por chefões políticos inúteis e por latifundiários que preferem viver nas cidades a trabalhar nas fazendas para produzir riquezas que possam ser compartilhadas com os trabalhadores.

Ainda que aquele país tenha uma população numerosa e miserável, os políticos incentivam a imigração em massa, em vez de investirem na população local e dividirem a riqueza do país com quem já vive nele.

Grande parte dos fazendeiros vive à custa do café, que é a maior riqueza daquele país, mas também sua maior pobreza. Isso porque o preço do café é artificialmente controlado pelo governo, que desembolsa fortunas do dinheiro público para que o negócio das oligarquias se mantenha sempre lucrativo.

Os habitantes de lá sonham em viver fora do país, de modo que, como Robson Crusoé, a maioria se concentra no litoral, à espera de um navio que os carregue para terras melhores.

Os poderosos de lá, imaginem! Querem mais ser admirados nos países estrangeiros do que dentro do próprio país. E desprezam grande parte da população, até por preconceito de cor.

Naquele país ninguém vota em quem quer, mas em quem os poderosos mandam. E – coisa assombrosa – até os votos mortos votam.

(Hélio Seixas Guimarães. In: Os Bruzungangas. Lima Barreto. São Paulo: FTD, 2013)



No trecho “Trata-se de um país essencialmente agrícola; mas, paradoxalmente, não há de fato agricultura”, o emprego da palavra “paradoxalmente” justifica-se porque:

  • A o autor apresenta um país que não tem como base econômica a indústria, portanto deveria ter como base a agricultura, no entanto o que existe nesse lugar são propriedades rurais não cultivadas e/ou onde se pratica alguma cultura sem grandes investimentos.
  • B de acordo com o texto,os representantes de Bruzundanga concentram grande parte de suas riquezas na busca de maior acesso a mercados para as exportações agrícolas e agroindustriais.
  • C o autor quis empregar uma linguagem mais rebuscada no texto, fazendo uso de uma figura de linguagem que reflete o comportamento da população de Bruzundanga.
  • D segundo o texto, os líderes políticos de Bruzundanga querem mais ser admirados nos países estrangeiros do que dentro do próprio país. E desprezam grande parte da população, até por preconceito de cor.
  • E A maioria dos habitantes de lá sonham em viver fora do país, de modo que a maioria se concentra no litoral, à espera de um navio que os carregue para terras melhores.