O texto a seguir é referência para a questão.
Encontrar a base neural da criatividade é um exercício de enorme potencial, pois se trata do recurso mais valioso do mundo. Novas formas de cultivo alimentam milhões de pessoas. Das velas às lâmpadas, as inovações que transformaram combustíveis em luz reduziram mil vezes o custo da iluminação. Poderia haver uma forma de aumentar esse tesouro inestimável? Seria possível alguém se tornar mais criativo se um cientista estimulasse as partes do cérebro que se ativam durante o pensamento criativo?
Pesquisadores financiados pela Fundação Nacional da Ciência, nos Estados Unidos, decidiram tentar. Para isso, usaram uma técnica chamada estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC). Como o nome sugere, regiões específicas do cérebro são estimuladas por meio de corrente contínua (CC) – o tipo de corrente produzida por uma bateria, em oposição à corrente alternada (CA), fornecida por uma tomada na parede. A corrente contínua é mais segura que a corrente alternada e consome uma quantidade de eletricidade pequena.
Alguns dispositivos são alimentados por uma simples bateria de 9 volts, do tipo retangular que se coloca em detectores de fumaça. As máquinas de ETCC usadas em pesquisas podem ser muito simples. Embora custem mais de mil dólares no comércio, alguns indivíduos corajosos gastaram apenas 15 dólares montando artefatos rudimentares com peças compradas em lojas de equipamentos eletrônicos. (Dica para o consumidor: não faça isso.)
Em pequenos estudos, constatou-se que esses dispositivos aceleram o aprendizado, aumentam a concentração e até mesmo amenizam a depressão clínica. No intuito de estimular a parte do cérebro que fica atrás dos olhos e aumentar a criatividade, eletrodos foram fixados na testa de 31 voluntários. A criatividade foi medida avaliando-se a capacidade dos participantes para fazer analogias.
As analogias representam uma forma bastante dopaminérgica de se pensar sobre o mundo. Eis um exemplo: a luz às vezes pode agir como balas disparadas de uma arma e outras vezes como ondulações se alastrando em um lago. Uma analogia extrai a essência abstrata e invisível de um conceito e a combina com uma essência semelhante de um conceito aparentemente não relacionado. Os sentidos do corpo percebem duas coisas diferentes, mas a razão entende a semelhança entre elas. Emparelhar uma ideia totalmente nova com uma antiga e já conhecida torna a nova ideia mais fácil de compreender.
A capacidade de estabelecer uma conexão entre duas coisas que antes não pareciam estar relacionadas é parte importante da criatividade e, ao que parece, pode ser aprimorada pela estimulação elétrica. Em comparação com os participantes que receberam falsas ETCCs, os que receberam eletricidade criaram analogias mais incomuns – isto é, entre elementos que pareciam muito diversos. Além disso, essas analogias extremamente criativas eram tão precisas quanto as mais óbvias criadas pelos participantes cujos dispositivos foram secretamente desligados.
Drogas dopaminérgicas podem fazer a mesma coisa. Embora alguns pacientes que as utilizam para controlar o mal de Parkinson desenvolvam compulsões devastadoras, outros se tornam mais criativos. Pintores tratados com medicamentos contra o Parkinson geralmente usam mais cores vivas em suas telas. Um paciente que desenvolveu um novo estilo após o tratamento disse: “O novo estilo é menos preciso, porém mais vibrante. Tenho necessidade de me expressar mais. Eu apenas me deixei levar.”
Lieberman, Daniel; Long, Michael. Dopamina: a molécula do desejo. Rio de Janeiro: Sextante, 2023.
Assinale a alternativa que apresenta uma analogia, de acordo com a descrição presente no quinto parágrafo.
- A A literatura é um poço cuja profundidade se desconhece e cuja escuridão ilumina.
- B Instituições como as escolas devem repensar os métodos de venda de seus serviços.
- C O frescor do verão tinha cheiro de fruta mordida.
- D A inflação galopante tem tirado a carne do prato do brasileiro.
- E Nada como um dia após o outro, com uma boa noite de sono no meio.