Questão 1 Comentada - SAMAE de Jaguaruna-2 - Auxiliar de Operações - Unesc (2026)

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Casa de vô

Todo avô toma remédio, usa dentadura e tira soneca depois do almoço. O meu, não.

Não toma pílula nem xarope. E, à tarde, fica acordado, brincando comigo. Dentadura? Isso ele usa. Mas, de resto é diferente.

Minha avó também não é igual às outras. Enquanto toda avó borda e faz bolo de chocolate, ela só costura para fazer remendos nas roupas e só cozinha no final de semana. E quase nunca está em casa. De calça comprida (enquanto todas as avós do mundo usam saia), sai cedinho para trabalhar e nos deixa sozinhos.

Ao cair da tarde, na garagem vazia, enquanto o papagaio e os cachorros conversam misturando latidos, uivos e risadas, ele espalha alguns pedacinhos de papel pelo chão. É a brincadeira do Pisei.

− Hã? Como assim? − pergunto. Essa é nova.

Vovô explica sua invenção:

− Memorize onde estão os papéis. Feche os olhos e comece a caminhar. Tente pisar em cima deles. Pode ir perguntando "Pisei?" para facilitar. Ganha o jogo quem pisar em mais pedaços.

Eu começo.

− Pisei? − pergunto, dando o primeiro passo, apertando os olhos.

− Não! − Pisei? − insisto mais uma vez, depois de caminhar um tiquinho.

− Não! Ouço um barulho de chaves. Vovó chega do trabalho. Diz "Oi". Sei que é para mim, mas não posso abrir os olhos para responder. É quebra de regra.

− Tudo bem, vó? Quer brincar de Pisei? − convido.

− Agora não, minha riqueza. Vovó vai descansar.

Vovô continua a me guiar, já sentado na cadeira de praia, lendo o jornal. Não vi, mas escutei o barulho dela sendo armada e das folhas nas mãos dele.

Sigo.

− Pisei?

E nada.

Sinto meus pés tropeçarem em algo. Abro os olhos. Vovô, à minha frente, de braços abertos, pronto para um abraço de vitória.

− Mas eu não pisei em nenhum papelzinho, vô, digo, meio desanimada, mas, já engalfinhada e feliz, nos braços dele.

− O vento foi levando tudo para o cantinho do portão, ele explica, sorrindo.

− E por que o senhor não me avisou? A gente poderia ter colado os pedacinhos no chão e recomeçado...

− Porque eu queria que a brincadeira terminasse com você perto de mim. Texto Adaptado


VICHESSI, Beatriz. Casa de vô. In: Nova Escola − Contos (Leitor Iniciante). São Paulo: Nova Escola, 2010. Disponível em: https://nova-escola-producao.s3.amazonaws.com/CxpHhuwPTXCPgcx nC2mpdYvJzjcqsBFzQ8wyZPA2uYwXtGhQjwKKV7aDuKFz/contos-leit oriniciante.pdf . Acesso em: 31 dez. 2025.


No trecho "− E por que o senhor não me avisou? A gente poderia ter colado os pedacinhos no chão e recomeçado...", as reticências ao final da frase cumprem uma função expressiva. Considerando seu uso no contexto, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.

  • A As reticências sugerem continuidade da fala, indicando que a frase da menina não foi concluída totalmente.
  • B As reticências criam suspense, sugerindo que a menina suspeita de algo escondido pelo avô.
  • C As reticências foram utilizadas incorretamente, pois não há nenhuma omissão de palavras na frase.
  • D As reticências indicam que a personagem esqueceu o que ia dizer e abandonou a frase.
  • E O uso das reticências mostra que a personagem foi interrompida bruscamente pelo avô.