A pandemia de COVID-19, ao alterar significativamente as formas de sociabilidade, aprendizagem e comunicação na infância, intensificou manifestações clínicas relacionadas à ansiedade, à desorganização afetiva e ao empobrecimento dos vínculos simbólicos. O uso intensivo de dispositivos digitais no contexto do isolamento sanitário produziu efeitos heterogêneos, mobilizando discussões sobre desenvolvimento neuropsicológico, plasticidade emocional e mediações tecnológicas. Nesse cenário, o trabalho interdisciplinar entre psicólogos, fonoaudiólogos, pediatras, terapeutas ocupacionais e educadores exige mais do que práticas complementares: demanda princípios dialógicos e ético-políticos que reconfigurem o cuidado à infância em contextos de crise.
Considerando os impactos da pandemia e do uso de tecnologias digitais na saúde mental infantil e as implicações para o trabalho interdisciplinar, assinale a alternativa correta:
- A A ampliação de quadros de sofrimento psíquico infantil durante e após a pandemia evidenciou a insuficiência de respostas setoriais, exigindo abordagens integradas que articulem indicadores clínicos, parâmetros educacionais e escuta institucional das narrativas infantis.
- B A mediação tecnológica no contexto pandêmico demonstrou caráter protetivo generalizado ao possibilitar uma compensação afetiva e comunicacional estável, atenuando as consequências do distanciamento físico nas etapas iniciais do desenvolvimento.
- C O atendimento remoto infantil, consolidado no contexto da pandemia, mostrou-se amplamente eficaz no fortalecimento de vínculos terapêuticos, independentemente das condições de acessibilidade, da presença de mediadores adultos e da faixa etária da criança.
- D A delimitação epistemológica das especialidades envolvidas na atenção à infância recomenda intervenções disciplinares paralelas, com preservação das fronteiras metodológicas, evitando interferências nos referenciais técnicos de cada área.