Questão 5 Comentada - Prefeitura de Camboriú-2 - Soldador - FURB (2025)

Furto de flor, Carlos Drummond de Andrade


Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida.


Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem. Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o médico das flores. Eu a furtara, eu a via morrer.


Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me:


− Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!

(Carlos Drummond de Andrade. Contos plausíveis. Rio de Janeiro, José Olympio, 1985. p. 80.)



A respeito da crônica Furto de flor , analise as assertivas que seguem e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:


(__)O homem tem um gesto espontâneo ao colher a flor no jardim.

(__)Ao afirmar que ele furtou a flor, o homem confessa que cometeu um crime e deveria ser denunciado às autoridades.

(__)O homem considera obrigação sua cuidar da flor, uma vez que foi ele quem a retirou do jardim.


Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:

  • A V − V − V.
  • B V − F − V.
  • C V − F − F.
  • D F − V − F.
  • E F − F − V.