Olhos parados
Manoel de Barros
Olhar, reparar tudo em volta, sem a menor intenção de poesia.
Girar os braços, respirar o ar fresco, lembrar dos parentes.
Lembrar da casa da gente, das irmãs, dos irmãos e dos pais da gente.
Lembrar que estão longe e ter saudades deles…
Lembrar da cidade onde se nasceu, com inocência, e rir sozinho.
Rir de coisas passadas. Ter saudade da pureza.
Lembrar de músicas, de bailes, de namoradas que a gente já teve.
Lembrar de lugares que a gente já andou e de coisas que a gente já viu.
Lembrar de viagens que a gente já fez e de amigos que ficaram longe.
Lembrar dos amigos que estão próximos e das conversas com eles.
Saber que a gente tem amigos de fato!
Tirar uma folha de árvore, ir mastigando, sentir os ventos pelo rosto…
Sentir o sol. Gostar de ver as coisas todas. Gostar de estar ali caminhando.
Gostar de estar assim esquecido. Gostar desse momento. Gostar dessa emoção tão cheia de riquezas íntimas.
A partícula “que” apresenta diversas classificações morfossintáticas a depender de sua carga semântica e de sua função no contexto em que é analisada. No trecho abaixo ela está conectando duas orações em um período composto por subordinação. Por esse motivo é classificada como:
“Saber que a gente tem amigos de fato”
Alternativas:
- A Pronome relativo
- B Conjunção integrante
- C Conjunção explicativa
- D Pronome interrogativo
- E Conjunção condicional