Questão 1 Comentada - Prefeitura de Terra Santa-2 - Fonoaudiólogo - Instituto Ágata (2026)

Zuzu Angel: história, resistência e legado


Nascida Zuleika Angel Jones, em Curvelo, Minas Gerais, Zuzu Angel construiu uma carreira na moda brasileira criando roupas que exaltavam elementos da cultura nacional. Cresceu no Rio de Janeiro e desenvolveu seu talento em costura de forma autodidata, ganhando destaque ao criar roupas para amigas e familiares. Foi casada com o economista estadunidense Norman Angel Jones, com quem teve três filhos: Stuart, Hildegard e Ana Cristina.

Durante sua trajetória na moda, a originalidade de suas peças e o uso de materiais brasileiros logo chamaram atenção da elite carioca e abriu o caminho para a visibilidade internacional.

Zuzu apareceu em importantes revistas de moda, como a “Harper’s Bazaar” e o “New York Times”, e foi a primeira estilista brasileira a realizar desfiles em Nova York, além de apresentar suas criações em Los Angeles e Washington.

Antes de se tornar um nome de peso na luta por direitos humanos, Zuzu Angel já era reconhecida por sua originalidade ao introduzir elementos brasileiros à alta costura.

Sua trajetória na moda começou na década de 1950, quando começou a produzir roupas para vender entre amigas. A qualidade e a autenticidade de seu trabalho logo a colocaram em uma posição de destaque e teve a oportunidade de desenhar roupas para pessoas famosas da época.

Zuzu ganhou reconhecimento ao criar peças que incorporavam elementos típicos da cultura brasileira, como rendas do Nordeste, chitas floridas, bordados manuais e estampas inspiradas na fauna e flora do país.

No entanto, o brilho de sua carreira foi literalmente ofuscado com o desaparecimento de seu filho, Stuart Angel Jones, aos 25 anos. E foi nesse momento que Zuzu transformou completamente sua carreira, saindo de trás das máquinas de costura e indo para a luta contra a ditadura.


Moda como ferramenta política


Tendo que lidar com a dor e com a falta de respostas pelo sumiço do filho, Zuzu Angel transformou esse sentimento em uma luta pública por justiça. Valendo-se de sua projeção internacional no mundo da moda, ela buscou envolver autoridades dos Estados Unidos, país de origem de seu ex-marido, na pressão pelo esclarecimento do assassinato de seu filho.

Criou então uma coleção de protesto, com estampas de manchas vermelhas, motivos de guerra, pássaros presos em gaiolas e anjos ensanguentados, simbolizando a repressão brutal do regime. Em seu desfile “International Dateline Collection III – Holiday and Resort”, apresentou peças que narram, por meio de imagens e bordados, sua dor e a violência do Estado.

Os desenhos, que evocavam traços infantis, remetem à figura do filho perdido. No encerramento do desfile, Zuzu Angel usou um vestido longo preto com manto cobrindo a cabeça, cinto com cem crucifixos e um pingente de anjo, um manifesto silencioso, mas eloquente, sobre o luto transformado em resistência.

Dessa forma, a moda tornou-se uma linguagem de protesto que transcende fronteiras e questionava as relações de poder e violação de direitos no Brasil.


Os desfiles de Zuzu Angel


Após o assassinato de seu filho, Stuart Angel, militante do MR-8, ela passou a usar suas criações como forma de denúncia. Seus desfiles incorporavam símbolos nacionais como anjos, pássaros em gaiolas, estampas de tortura e padrões camuflados, em uma crítica direta ao regime.

Um dos momentos mais marcantes de sua trajetória foi o desfile no consulado brasileiro em Nova York, em 1971, onde chocou a elite internacional ao revelar, por meio da moda, as atrocidades cometidas no Brasil.

Entre suas peças mais simbólicas, havia vestidos com tecidos vermelhos que evocavam sangue e formas que lembravam feridas, representando a dor e a violência. Zuzu também recorria a símbolos religiosos, como cruzes e mantos, reforçando a dimensão sacrificial da luta por liberdade.

Cada desfile era pensado como um ato político: música triste, iluminação dramática e figurinos carregados de significado transformavam a passarela em um palco de protesto.


O legado de Zuzu Angel


Com o passar dos anos, Zuzu tornou-se figura central na cultura brasileira. Mas na madrugada de 14 de abril de 1976, a estilista morreu em um acidente no Túnel Dois Irmãos, na Estrada da Gávea, no Rio de Janeiro — hoje chamado Túnel Zuzu Angel. Sua morte, estranhamente violenta, foi investigada pelas autoridades anos depois.

Diversas investigações ponderam se foi realmente acidente ou assassinato cometido por agentes do regime. A Comissão Nacional da Verdade, em 1998, reconheceu sua morte como violenta, causada por ação estatal.

Em 1993, foi criado o Instituto Zuzu Angel, dedicado à memória e ensino da moda no Rio. A filha Hildegard, jornalista e herdeira da luta, conseguiu em 2020 a indenização por morte violenta, confirmando o reconhecimento jurídico da culpa do Estado.

Seu nome está no Livro de Aço do Panteão da Pátria desde 2017. Sua história inspirou o filme Zuzu Angel (2006), dirigido por Sérgio Rezende e estrelado por Patrícia Pillar e Daniel de Oliveira. Além disso, sua luta também está eternizada nas artes, livros e músicas como a canção “Angélica” de Chico Buarque.


(ADAPTADO. www. iclnoticias.com.br/conhecimento/zuzu-angel/)



Nos trechos:
I. Cresceu no Rio de Janeiro e desenvolveu seu talento em costura de forma autodidata; II. Durante sua trajetória na moda, a originalidade de suas peças; III. que transcende fronteiras e questionava as relações de poder.
As palavras destacadas significam, respectivamente:

  • A I. Quem aprende sozinho; II. Caráter de ser autêntico, criativo; III. Capacidade de influenciar ou controlar pessoas e situações.
  • B I. Quem recebe sempre ajuda de professores; II. Estilos já existentes; III. Presença de autoridade.
  • C I. Quem depende de cursos formais; II. Qualidade de ser previsível; III. Franqueza diante dos outros.
  • D I. Pessoa que aprende apenas em grupo; II. Criatividade; III. Complexa opinião pessoal.
  • E I. Quem gosta de estudar; II. Repetição de padrões comuns; III. Algo com influência sobre a realidade.

Gabarito comentado da Questão 1 - Prefeitura de Terra Santa-2 - Fonoaudiólogo - Instituto Ágata (2026)

Análise Técnica da Questão: A questão avalia a compreensão do significado léxico-semântico de palavras em contexto, conforme normas gramaticais e de interpretação de texto vigentes. I. "autodidata": O termo designa especificamente aquele que instrui a si mesmo, aprendendo sem mestre ou ensino formal. A alternativa A ("Quem aprende sozinho") é a única definição precisa e tecnicamente correta. II. "originalidade": No contexto da criação na moda, refere-se à qualidade do que é novo, autêntico...

Somente usuários Premium podem acessar aos comentários dos nossos especialistas...

Que tal assinar um dos nossos planos e ter acesso ilimitado a todas as resoluções de questões e ainda resolver a todas as questões de forma ilimitada?

São milhares de questões resolvidas!

Assine qualquer plano e tenha acesso a todas as vantagens de ser Premium