Leia o texto abaixo e responda à questão.
Desapegar (também) é preciso.
Gustavo Tamagno Martins
Minha caixa de e-mails lotou. E nem foi por descuido, porque fico de olho diariamente. Foi por apego mesmo. Não apago (ou apagava) nem os que já havia lido e respondido. Sempre pensei que, uma hora ou outra, iria precisar de todas aquelas mensagens eletrônicas, mesmo que a grande maioria fossem meras propagandas de empresas e sites que nem lembro de ter assinado para receber. “Uma hora vou precisar”. Vai na mesma linha do que colocar na mala quando preciso viajar. Tudo parece útil e essencial, até mesmo aquilo que nunca usei na minha vida. Mas nem tudo é.
Há alguns dias precisei acompanhar a palestra promovida por um cliente. O título não poderia ser outro: “descarte o que não soma… e seja feliz!”. Dias depois fui procurar um filme para assistir na plataforma de streaming. O objetivo era relaxar, uma das formas que encontro para me desligar do mundo. O título que apareceu em destaque e como sugestão para mim não foi nada relax: “Desapega!”. Tá bom, já entendi o recado!
Temos a mania de carregar tudo conosco. Até mesmo o que não nos leva para frente. Insistimos em guardar coisas que já não serão usadas ou que não nos dizem mais a respeito, por simples medo de dizer adeus. Peças de roupa ficam mofando no guarda-roupas enquanto outras pessoas poderiam estar usando. E logicamente isso não serve apenas para roupas e objetos. Empregos, relacionamentos, amizades e sentimentos. Quanta coisa acumulamos (principalmente aqui dentro do peito) sem necessidade? Ops, precisamos fazer uma faxina de vez em quando e eliminar toda aquela tralha que deixa a nossa vida mais pesada.
Quando descartamos o que não faz mais sentido carregarmos conosco, abrimos espaço para novas oportunidades e experiências diferentes. É necessário deixar partir e abrir mão de muita coisa para a vida fluir e a nossa jornada se tornar mais leve. Quando soltamos o que nos prende, ficamos mais livres. Lembra a sensação de assoprar uma flor dente-de-leão? Se o botão se apegasse e quisesse ficar preso, ele não se tornaria flor. Desapegar (também) é preciso.
Quanto ao gênero e às marcas discursivas do texto, assinale a alternativa correta.
- A Crônica reflexiva em primeira pessoa, ancorada em cenas do cotidiano, com modalizadores avaliativos e fecho metafórico, privilegiando experiência narrada e persuasão leve, sem basear-se em estatísticas ou autoridade especializada.
- B Artigo de opinião de colunista, com tese antecipada e sustentação por estatísticas, citações de especialistas e contraposição explícita de argumentos, mantendo organização expositiva rígida e progressão lógica formal do início ao fim do desenvolvimento.
- C Ensaio pessoal de feição abstrata, conduzido por impessoalidade e discussão conceitual ampla, sem episódios ou microcenas, com foco predominantemente teórico e elaboração argumentativa distanciada do universo empírico de situações ordinárias.
- D Editorial institucional, com voz coletiva e tom normativo, orientado a posicionar oficialmente uma organização perante tema de interesse público, sustentando-se em impessoalidade, generalização e diretrizes para o comportamento do leitor.