Leia o texto a seguir para responder à questão:
A praça do poeta (1989)
Itapuã é um lugar da Bahia, feito de coqueiros, areia, moça morena e saudade. Dali, saem os pescadores de curimã, afoitos guerreiros do mar, heróis e mártires dos temporais. Ali, celebra-se uma das mais belas festas. Iemanjá, senhora de todos os praieiros e de todos os marítimos.
A poesia do mar, da praia e dos coqueiros quebra-se, de repente, ao choque com a miséria de sua população descalça – gente sisuda e triste – marcada de doenças, subnutrição e desilusões. Nos tempos eleitorais, os políticos vão para lá, instalam postos de saúde, iluminação, retrato, fazem discursos e sacam contra o futuro, contando histórias de dinheiro, saúde e felicidade. Eleitos, saem de mansinho, e os ingênuos praieiros que conquistem, na incerta generosidade do mar, comida, remédio e dignidade.
Fartos da música, dos discursos e das palavras sem verdade, os pescadores se apegam a todas as lendas e crendices do mar, o caminho mais fácil que eles encontram até Deus. É por isso que, nas praias da Bahia, vivem as rezas, os cultos, as celebrações mais ricas e numerosas do folclore praieiro.
(Antônio Maria. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/ cronicas/13375/a-praca-do-poeta. Adaptado)
A partir da leitura da crônica, é correto concluir que “os praieiros”, de que fala o autor,
- A sentem-se cansados das mentiras dos políticos e encontram conforto em crenças sobre o mar, que é fonte de sua sobrevivência.
- B são muito religiosos, o que faz com que eles não se interessem por política nem por lendas populares.
- C desvalorizam a política, o que os leva a não resolverem problemas graves como a miséria da população local.
- D celebram uma das mais belas festas dos países, momento em que os políticos aparecem para contar suas mentiras.
- E parecem pessoas tristes e preocupadas, mas na realidade são festeiros e satisfeitos com a vida em Itapuã.