Questão 3 Comentada - Câmara Legislativa do Distrito Federal - Consultor Legislativo - Análise de Sistemas - FCC (2018)


O tempo nos nossos tempos

O espaço e o tempo são categorias básicas da existência humana. E, no entanto, raramente discutimos o seu sentido; tendemos a tê-los por certos e lhes damos atribuições do senso comum ou autoevidentes. Registramos a passagem do tempo em segundos, minutos, horas, dias, meses, anos, décadas, séculos e eras, como se tudo tivesse o seu lugar numa única escala temporal objetiva. Embora o tempo na física seja um conceito difícil e objeto de contendas, não costumamos deixar que isso interfira no nosso sentido comum do tempo, em torno do qual organizamos nossa rotina diária. Reconhecemos, é verdade, que os nossos processos e percepções mentais podem nos pregar peças, fazer segundos parecerem anos-luz ou horas agradáveis passarem com tanta rapidez que mal nos damos conta. Também podemos reconhecer o fato de diferentes sociedades (ou mesmo diferentes subgrupos) cultivarem sentidos de tempo bem distintos.
Na sociedade moderna, muitos sentidos distintos de tempo se entrecruzam. Os movimentos cíclicos e repetitivos (do café da manhã e da ida ao trabalho a rituais sazonais como festas populares e aberturas de temporadas esportivas) oferecem sensação de segurança num mundo em que o impulso geral do progresso parece ser sempre para frente e para o alto – na direção do firmamento do desconhecido.
Quando o sentido do tempo como progresso é ameaçado pela depressão ou pela recessão, pela guerra ou pelo caos social, podemos nos reassegurar (em parte) com a ideia do tempo cíclico como um fenômeno natural a que devemos forçosamente nos adaptar ou recorrer a uma imagem ainda mais forte de alguma propensão universal estável, como contraponto perpétuo do progresso. E, em momentos de desespero ou de exaltação, quem entre nós consegue impedir-se de invocar o tempo do destino, do mito, dos deuses?

(HARVEY, David. Condição pós-moderna. Trad. Adail Ubirajara Sobral e Maria Stela Gonçalves. São Paulo: Loyola, 1993, p. 187-188)



Há forma verbal na voz passiva e pleno atendimento às regras de concordância na frase:

  • A Entre as várias assertivas do texto figuram, já ao final dele, a de que os antigos ritos e mitos ainda exercem sua força sobre nós.
  • B Reconhecem-se a natureza e a qualidade do tempo segundo as disposições emocionais a que se esteja submetido.
  • C Não hão de se evitar que nossos estados emocionais atuem decisivamente sobre as nossas percepções do tempo.
  • D Tanto nos vem marcando os ritmos do progresso a qualquer custo que nossa compreensão do tempo nunca se contrapõem a eles.
  • E Mesmo as ações da rotina simples, como tomar café ou ir ao trabalho, deixa-se marcar por bem determinada qualificação do tempo.