Questão 3 Comentada - Prefeitura de Bandeirante - Professor de Língua Portuguesa - AMEOSC (2025)

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Plano Nacional de Educação 2025-2035: relação entre financiamento e política nacional para o Ensino Médio


O debate sobre o novo Plano Nacional de Educação (PNE 2025-2035) ganha relevância diante do fim do ciclo do PNE 2014-2024 e das lacunas persistentes no sistema educacional brasileiro. O artigo analisa a articulação entre financiamento e políticas públicas, tomando o Ensino Médio como eixo central para refletir sobre o futuro da educação pública no país.

A consolidação de uma política nacional de Ensino Médio, segundo os autores, exige superar a fragmentação histórica das ações governamentais e fortalecer a presença do Estado como garantidor do direito à educação. A experiência recente revela que, embora o acesso tenha se ampliado, as desigualdades permanecem expressivas, especialmente nas escolas públicas e entre jovens de baixa renda. A falta de continuidade e de coerência entre as políticas educacionais tem comprometido a efetividade das reformas, que frequentemente reproduzem orientações de organismos internacionais sem considerar as especificidades sociais e culturais brasileiras.

O texto discute criticamente o papel dessas influências externas na definição das diretrizes para o Ensino Médio. Organismos multilaterais, como o Banco Mundial e a OCDE, têm impulsionado reformas baseadas em parâmetros de eficiência econômica, avaliação padronizada e parcerias público-privadas. Tais orientações priorizam a formação de mão de obra ajustada ao mercado, em detrimento de uma educação crítica e emancipadora. Para os autores, esse modelo reduz o papel da escola pública a uma função meramente instrumental, desconsiderando a formação integral do sujeito.

No contexto brasileiro, a reforma do Ensino Médio de 2017 exemplifica essa lógica: implementada de forma acelerada e sem amplo debate, ela ampliou a carga horária e introduziu itinerários formativos, mas sem garantir o financiamento necessário à infraestrutura e à formação docente. Em muitas redes estaduais, as mudanças ocorreram sem condições materiais adequadas, o que reforçou desigualdades já existentes. O artigo alerta que uma política educacional não se sustenta sem investimento público consistente e planejamento de longo prazo.

A análise destaca, ainda, o papel estratégico da meta 20 do PNE 2014-2024, que previa elevar progressivamente o investimento público em educação até atingir o equivalente a 10 % do PIB. A não concretização dessa meta comprometeu outras, como a valorização do magistério, a expansão da oferta de vagas e a melhoria da qualidade do ensino. O novo PNE, portanto, deve retomar o debate sobre financiamento, assegurando que os recursos sejam vinculados a metas factíveis e acompanhados de mecanismos de monitoramento e transparência.

Os autores defendem que o financiamento é a condição material para qualquer avanço educacional. Sem recursos adequados, as políticas de currículo, avaliação e formação docente tornam-se meramente simbólicas. O investimento público precisa ser entendido como compromisso político e não apenas contábil, uma vez que a educação é um direito social e um elemento estruturante da democracia.

O texto conclui que o futuro da educação brasileira dependerá da capacidade de articular uma política nacional de Ensino Médio que seja democrática, inclusiva e sustentada por financiamento estável. É necessário reorientar o planejamento educacional para além da lógica mercadológica, valorizando a escola pública como espaço de emancipação e cidadania. O PNE 2025-2035 representa, portanto, uma oportunidade de reconstrução de um projeto de nação que tenha a educação como eixo de desenvolvimento humano e social.


Disponível em: https://revistas.ufpr.br/educar/article/download/95702/75695/441393.ad aptado.


Sem recursos adequados, as políticas de currículo, avaliação e formação docente "tornam-se" meramente simbólicas.

Com base no trecho do texto-base, assinale a alternativa correta quanto à colocação pronominal do verbo destacado.

  • A O verbo "tornam-se" apresenta mesóclise, pois o pronome "se" foi inserido no interior da forma verbal composta entre o verbo e o advérbio, atendendo à exigência de um tempo futuro simples.
  • B A forma "tornam-se" apresenta ênclise, pois o pronome "se" está posposto ao verbo, configuração obrigatória em orações iniciadas por termos que não atraem o pronome, como ocorre neste caso, em que a oração começa por adjunto adverbial.
  • C A forma "tornam-se" constitui exemplo de próclise, uma vez que o pronome reflexivo antepõe-se semanticamente ao verbo, mesmo aparecendo graficamente depois dele, por força de inversão estilística.
  • D A colocação pronominal em "tornam-se" caracteriza anáclise, pois o pronome se apoia no verbo anterior implícito e retoma o sujeito "as políticas de currículo, avaliação e formação docente".