Questão 2 Comentada - Prefeitura de Alagoinha do Piauí-2 - Cuidador - Prova JVL Concursos (2025)

Leia o texto abaixo e responda à questão.




Desapegar (também) é preciso.

Gustavo Tamagno Martins



Minha caixa de e-mails lotou. E nem foi por descuido, porque fico de olho diariamente. Foi por apego mesmo. Não apago (ou apagava) nem os que já havia lido e respondido. Sempre pensei que, uma hora ou outra, iria precisar de todas aquelas mensagens eletrônicas, mesmo que a grande maioria fossem meras propagandas de empresas e sites que nem lembro de ter assinado para receber. “Uma hora vou precisar”. Vai na mesma linha do que colocar na mala quando preciso viajar. Tudo parece útil e essencial, até mesmo aquilo que nunca usei na minha vida. Mas nem tudo é.



Há alguns dias precisei acompanhar a palestra promovida por um cliente. O título não poderia ser outro: “descarte o que não soma… e seja feliz!”. Dias depois fui procurar um filme para assistir na plataforma de streaming. O objetivo era relaxar, uma das formas que encontro para me desligar do mundo. O título que apareceu em destaque e como sugestão para mim não foi nada relax: “Desapega!”. Tá bom, já entendi o recado!



Temos a mania de carregar tudo conosco. Até mesmo o que não nos leva para frente. Insistimos em guardar coisas que já não serão usadas ou que não nos dizem mais a respeito, por simples medo de dizer adeus. Peças de roupa ficam mofando no guarda-roupas enquanto outras pessoas poderiam estar usando. E logicamente isso não serve apenas para roupas e objetos. Empregos, relacionamentos, amizades e sentimentos. Quanta coisa acumulamos (principalmente aqui dentro do peito) sem necessidade? Ops, precisamos fazer uma faxina de vez em quando e eliminar toda aquela tralha que deixa a nossa vida mais pesada.



Quando descartamos o que não faz mais sentido carregarmos conosco, abrimos espaço para novas oportunidades e experiências diferentes. É necessário deixar partir e abrir mão de muita coisa para a vida fluir e a nossa jornada se tornar mais leve. Quando soltamos o que nos prende, ficamos mais livres. Lembra a sensação de assoprar uma flor dente-de-leão? Se o botão se apegasse e quisesse ficar preso, ele não se tornaria flor. Desapegar (também) é preciso.



No enunciado “temos a mania de carregar tudo conosco”, o efeito discursivo dominante é:

  • A Individualização do problema no narrador, criando distância afetiva em relação ao leitor e reduzindo o potencial de identificação com a crítica.
  • B Indeterminação do sujeito oracional que esvazia responsabilidades, fragilizando o vínculo enunciativo e tornando impreciso o alvo principal da crítica.
  • C Inclusão do leitor no enunciado coletivo, suavizando o juízo e ampliando a sensação de universalidade, o que fortalece a adesão à crítica proposta.
  • D Formalização institucional do tom, impondo distanciamento, como se o texto fosse um comunicado oficial para um público amplo.