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Zuzu Angel: história, resistência e legado


Nascida Zuleika Angel Jones, em Curvelo, Minas Gerais, Zuzu Angel construiu uma carreira na moda brasileira criando roupas que exaltavam elementos da cultura nacional. Cresceu no Rio de Janeiro e desenvolveu seu talento em costura de forma autodidata, ganhando destaque ao criar roupas para amigas e familiares. Foi casada com o economista estadunidense Norman Angel Jones, com quem teve três filhos: Stuart, Hildegard e Ana Cristina.

Durante sua trajetória na moda, a originalidade de suas peças e o uso de materiais brasileiros logo chamaram atenção da elite carioca e abriu o caminho para a visibilidade internacional.

Zuzu apareceu em importantes revistas de moda, como a “Harper’s Bazaar” e o “New York Times”, e foi a primeira estilista brasileira a realizar desfiles em Nova York, além de apresentar suas criações em Los Angeles e Washington.

Antes de se tornar um nome de peso na luta por direitos humanos, Zuzu Angel já era reconhecida por sua originalidade ao introduzir elementos brasileiros à alta costura.

Sua trajetória na moda começou na década de 1950, quando começou a produzir roupas para vender entre amigas. A qualidade e a autenticidade de seu trabalho logo a colocaram em uma posição de destaque e teve a oportunidade de desenhar roupas para pessoas famosas da época.

Zuzu ganhou reconhecimento ao criar peças que incorporavam elementos típicos da cultura brasileira, como rendas do Nordeste, chitas floridas, bordados manuais e estampas inspiradas na fauna e flora do país.

No entanto, o brilho de sua carreira foi literalmente ofuscado com o desaparecimento de seu filho, Stuart Angel Jones, aos 25 anos. E foi nesse momento que Zuzu transformou completamente sua carreira, saindo de trás das máquinas de costura e indo para a luta contra a ditadura.


Moda como ferramenta política


Tendo que lidar com a dor e com a falta de respostas pelo sumiço do filho, Zuzu Angel transformou esse sentimento em uma luta pública por justiça. Valendo-se de sua projeção internacional no mundo da moda, ela buscou envolver autoridades dos Estados Unidos, país de origem de seu ex-marido, na pressão pelo esclarecimento do assassinato de seu filho.

Criou então uma coleção de protesto, com estampas de manchas vermelhas, motivos de guerra, pássaros presos em gaiolas e anjos ensanguentados, simbolizando a repressão brutal do regime. Em seu desfile “International Dateline Collection III – Holiday and Resort”, apresentou peças que narram, por meio de imagens e bordados, sua dor e a violência do Estado.

Os desenhos, que evocavam traços infantis, remetem à figura do filho perdido. No encerramento do desfile, Zuzu Angel usou um vestido longo preto com manto cobrindo a cabeça, cinto com cem crucifixos e um pingente de anjo, um manifesto silencioso, mas eloquente, sobre o luto transformado em resistência.

Dessa forma, a moda tornou-se uma linguagem de protesto que transcende fronteiras e questionava as relações de poder e violação de direitos no Brasil.


Os desfiles de Zuzu Angel


Após o assassinato de seu filho, Stuart Angel, militante do MR-8, ela passou a usar suas criações como forma de denúncia. Seus desfiles incorporavam símbolos nacionais como anjos, pássaros em gaiolas, estampas de tortura e padrões camuflados, em uma crítica direta ao regime.

Um dos momentos mais marcantes de sua trajetória foi o desfile no consulado brasileiro em Nova York, em 1971, onde chocou a elite internacional ao revelar, por meio da moda, as atrocidades cometidas no Brasil.

Entre suas peças mais simbólicas, havia vestidos com tecidos vermelhos que evocavam sangue e formas que lembravam feridas, representando a dor e a violência. Zuzu também recorria a símbolos religiosos, como cruzes e mantos, reforçando a dimensão sacrificial da luta por liberdade.

Cada desfile era pensado como um ato político: música triste, iluminação dramática e figurinos carregados de significado transformavam a passarela em um palco de protesto.


O legado de Zuzu Angel


Com o passar dos anos, Zuzu tornou-se figura central na cultura brasileira. Mas na madrugada de 14 de abril de 1976, a estilista morreu em um acidente no Túnel Dois Irmãos, na Estrada da Gávea, no Rio de Janeiro — hoje chamado Túnel Zuzu Angel. Sua morte, estranhamente violenta, foi investigada pelas autoridades anos depois.

Diversas investigações ponderam se foi realmente acidente ou assassinato cometido por agentes do regime. A Comissão Nacional da Verdade, em 1998, reconheceu sua morte como violenta, causada por ação estatal.

Em 1993, foi criado o Instituto Zuzu Angel, dedicado à memória e ensino da moda no Rio. A filha Hildegard, jornalista e herdeira da luta, conseguiu em 2020 a indenização por morte violenta, confirmando o reconhecimento jurídico da culpa do Estado.

Seu nome está no Livro de Aço do Panteão da Pátria desde 2017. Sua história inspirou o filme Zuzu Angel (2006), dirigido por Sérgio Rezende e estrelado por Patrícia Pillar e Daniel de Oliveira. Além disso, sua luta também está eternizada nas artes, livros e músicas como a canção “Angélica” de Chico Buarque.


(ADAPTADO. www. iclnoticias.com.br/conhecimento/zuzu-angel/)



Com base no texto, analise as afirmativas a seguir:

I. Zuzu Angel restringiu sua denúncia política ao cenário nacional, evitando envolver a comunidade internacional em sua causa.
II. O uso de símbolos religiosos em seus desfiles reforça a ideia de sacrifício e sofrimento como parte de uma luta coletiva contra a repressão.
III. O desfile no consulado brasileiro em Nova York, em 1971, foi marcado pelo choque causado à elite internacional ao revelar, pela moda, as atrocidades do regime brasileiro.
IV. A estética da moda de Zuzu permaneceu sempre desvinculada de questões políticas, mantendo-se apenas no campo da criação artística.
V. A incorporação de cores, símbolos e recursos cênicos demonstra que cada desfile funcionava como um ato político e performático de resistência.

Assinale a alternativa correta.

  • A Apenas as afirmativas I e IV estão corretas.
  • B Apenas as afirmativas II, III e V estão corretas.
  • C Apenas as afirmativas I, II e V estão corretas.
  • D Apenas as afirmativas III e IV estão corretas.
  • E Apenas a afirmativa II está correta.