Questão 2 Comentada - Prefeitura de Caconde-2 - Veterinário - Avança SP (2025)

Leia o texto a seguir para responder à questão.


A eterna imprecisão da linguagem

—Que pão!

Doce? de mel? de açúcar? de ló? de ló de mico? de trigo? de milho? de mistura? de rapa? de saruga? de soborralho? do céu? dos anjos? brasileiro? francês? italiano? alemão? do chile? de forma? de bugio? de porco? de galinha? de pássaros? de minuto? ázimo? bento? branco? dormido? duro? sabido? saloio? seco? segundo? nosso de cada dia? ganho com o suor do rosto? que o diabo amassou?

Branca? preta? tinta? moscatel? isabel? maçã? japonesa? ursina? brava? bastarda? rara? de galo? de cão? de cão menor? do monte? da serra? do mato? de mato grosso? de facho? de gentio? de João Pais? do nascimento? do inverno? do inferno? de praia? de rei? de obó? da promissão? da promissão roxa? verde da fábula de La Fontaine? espim? do diabo?

—O diabo!

Lúcifer? Belzebu? Azazel? Exu? marinho? alma? azul? coxo? canhoto? beiçudo? rabudo? careca? tinhoso? pé de pato? pé de cabra? capa verde? romãozinho? bute? cafute? Pedro Botelho? temba? mafarrico? dubá? louro? a quatro?

—É uma flor.

Da noite? de um dia? do ar? da paixão? do besouro? da quaresma? das almas? de abril? de maio? do imperador? da imperatriz? de cera? de coral? de enxofre? de lã? de lis? de pau? de natal? de São Miguel? de São Benedito? da santa cruz? de sapo? do cardeal? do general? de noiva? de viúva? da cachoeira? de baile? de vaca? de chagas? de sangue? de Jesus? do espírito santo? dos formigueiros? dos amores? dos macaquinhos? dos rapazinhos? de pelicano? de papagaio? de mel? de merenda? de 11 horas? de trombeta? de mariposa? de veludo? do norte? do paraíso? de retórica? neutra? macha? estrelada? radiada? santa? que não se cheira?

—É uma bomba.

De sucção? de roda? de parede? premente? aspirante-premente? de incêndio? real? transvaliana? vulcânica? atômica? de hidrogênio? de chocolate? suja? de vestibular de medicina? de anarquista? de São João e São Pedro? de fabricação caseira? de aumento do preço do dólar? enfeitada? de zoncho? de efeito psicológico?

—É um amor.

Perfeito? perfeito da China? perfeito do mato? perfeito azul? perfeito bravo? próprio? materno? filial? incestuoso? livre? platônico? socrático? de vaqueiro? de carnaval? de cigano de perdição? de hortelão? de deus? do próximo? sem olho? à pátria? bruxo? que não ousa dizer seu nome?

—Vá em paz.

Armada? otaviana? romana? podre? dos pântanos? de Varsóvia? de requiescat? e terra?


—Vá com Deus. Qual?


ANDRADE, C. D. A eterna imprecisão da linguagem. Correio da Manhã. Rio de Janeiro, 1968. Disponível em <https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/17404/a-eternaimprecisao-de-linguagem>. (Adaptado).



O sentido da expressão “que não se cheira”, atribuída a “uma flor” pelo narrador do texto, mobiliza especialmente a figura de linguagem:

  • A inversão.
  • B silepse.
  • C gradação.
  • D metáfora.
  • E repetição.

Gabarito comentado da Questão 2 - Prefeitura de Caconde-2 - Veterinário - Avança SP (2025)

A expressão "que não se cheira", atribuída a "uma flor", constitui uma metáfora, pois estabelece uma relação de analogia implícita ao subverter a expectativa convencional associada ao objeto (flores, por natureza, são cheirosas). A figura sugere que a "flor" em questão possui uma característica antitética à sua essência, operando por meio de uma comparação não explícita que amplia o sentido original.As demais alternativas podem ser descartadas: inversão altera a ordem sintática convencional; ...

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