Ao compreendermos que alfabetizar não se resume à decodificação mecânica de sinais gráficos, mas supõe um processo sociocognitivo, situado historicamente, em que a criança constrói hipóteses sobre o funcionamento da linguagem escrita, considerando seu uso social, sua organização simbólica e sua função comunicativa, entendemos que as práticas de alfabetização e letramento devem:
- A promover, de modo integrado, o desenvolvimento da consciência fonológica e da compreensão discursiva, vinculando a aprendizagem do sistema alfabético às práticas sociais de leitura e escrita, com atenção aos gêneros, aos propósitos comunicativos e à progressão textual.
- B priorizar a automatização dos grafemas e fonemas, reforçando as habilidades fonológicas de base, com vistas à consolidação da codificação escrita, e apenas posteriormente à inserção em contextos de leitura literária e de produção textual.
- C ser centradas nos mecanismos de análise fonológica, na discriminação auditiva e na segmentação silábica, considerando que essas habilidades são pré-requisitos para a compreensão e produção de textos escritos em qualquer gênero discursivo.
- D ser conduzidas de forma gradual, mediante o uso de textos de complexidade crescente, de modo a que a criança internalize, de maneira linear, os princípios do código alfabético e somente então transite para práticas sociais mais amplas de letramento.