"O Sentinela" (Trecho adaptado)
Autor: Olavo Bilac (Domínio Público)
"Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! não verás nenhum país como este!
Olha que céu! Que mar! Que rios! Que floresta!
A natureza aqui perpetuamente em festa
É um seio de mãe a transbordar carinho.
Vê que vida há no chão! Vê que luz há no ar!
Teus livros, teus brinquedos deixa um pouco… Vem!
Que o amor se aprende amando… Vem! Ama o Brasil
também!"
A exortação do eu lírico no trecho de "O Sentinela" configura uma pedagogia do sentimento patriótico que se alicerça, predominantemente, na
- A contraposição explícita entre a experiência empírica da natureza e a abstração do conhecimento formal, visando desqualificar o último em favor de uma vivência puramente sensorial da pátria.
- B articulação de um nacionalismo cívico-territorial, onde a grandiosidade do espaço físico é apresentada como metonímia da superioridade moral e cultural do povo brasileiro.
- C proposição de uma gnose intuitiva e afetiva da pátria, em que o ato de "amar" precede e condiciona o "aprender", sugerindo que a identidade nacional se forja na experiência emocional direta com o meio.
- D valorização da infância como estágio ideal para a inculcação de um orgulho ufanista, utilizando a ingenuidade infantil para naturalizar uma visão acrítica e idealizada do país.
- E construção de uma estética parnasiana da paisagem, onde a perfeição formal da natureza espelha um ideal de ordem e progresso a ser internalizado pela criança como cidadã.