Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
[O que queremos?]
Se a história do homo sapiens, tal como o definimos até agora, está mesmo chegando ao fim, nós, membros de uma de suas últimas gerações, devemos dedicar algum tempo a responder a uma última pergunta: o que queremos nos tornar?
A maioria das pessoas prefere não falar sobre isso. Mesmo o campo da bioética prefere abordar outra pergunta: “O que é proibido fazer?”. É aceitável fazer experimentos genéticos com seres humanos vivos? Com fetos abortados? Com células-tronco? É ético clonar ovelhas? Todas essas perguntas são importantes, mas é ingênuo imaginar que podemos simplesmente frear os projetos científicos que estão transformando o homo sapiens em um tipo diferente de ser, pois esses projetos estão inextricavelmente unidos à busca pela imortalidade.
Pergunte aos cientistas por que estudam o genoma, ou tentam conectar um cérebro a um computador, ou tentam criar uma mente dentro de um computador. Nove em cada dez lhe darão a mesma resposta: estamos fazendo isso para curar doenças e salvar vidas humanas. Embora as implicações de criar uma mente dentro de um computador sejam muito mais dramáticas do que curar doenças psiquiátricas, essa é a justificativa padrão fornecida, porque ninguém pode argumentar contra ela.
A única coisa que podemos tentar fazer é influenciar a direção do que se está fazendo nas ciências. Mas considerando que possivelmente logo seremos capazes de manipular inclusive nossos desejos, a verdadeira pergunta a ser enfrentada não é “O que queremos nos tornar?”, e sim “O que queremos querer?”. Aqueles que não se sentem assombrados por essa pergunta provavelmente não refletiram o suficiente a respeito.
(Adaptado de: HARARI, Yuval Noah. Sapiens: Uma breve história da humanidade. Trad. Janaína Marcoantonio. Porto Alegre: L&PM, 2018, 425-426)
Considerando-se o contexto, o sentido específico de um segmento do texto está adequadamente traduzido em:
- A ... membros de uma de suas últimas gerações (1º parágrafo) = componentes derradeiros da contemporaneidade.
- B ... é ingênuo imaginar que podemos simplesmente frear os projetos científicos (2º parágrafo) = supõe-se simploriamente que tais projetos sejam irrefreáveis.
- C ... essa é a justificativa padrão fornecida (3º parágrafo) = é a razão que se sugere circunstancialmente.
- D ... capazes de manipular inclusive nossos desejos (4º parágrafo) = habilitados a manejar até mesmo nossas aspirações.
- E ... não se sentem assombrados por essa pergunta (4º parágrafo) = mostram-se inconformados com tal questionamento.